Sobre escrever: desabafo mode on

Voltamos com os posts sobre escrita? Voltamos com os posts sobre escrita! ❤

No anterior (que você pode ler clicando aqui), falei sobre como andavam meus projetos e planos para o futuro em relação ao que escrevo. Neste post, no entanto, vou desabafar um pouquinho sobre meus medos e inseguranças em relação ao assunto — que por sinal não são poucos, socorro!

Entre os diversos aspectos que atualmente me impedem de conseguir dar os passos finais na (re)publicação de MiA (Draps), está o cenário literário, o que me deixa apavorada.

Se você é artista no país sabe muito bem a dificuldade para ter uma pequena valorização. Não só porque o Brasil não apoia a cultura em um geral, afinal, quem escreve (e uso a escrita como exemplo porque é o setor que acompanho e estou incluída, mas as dificuldades aparecem em todos eles) sabe muito bem que as chances de conseguir sobreviver financeiramente da própria arte é uma realidade distante — quase impossível, para poucos sortudos, ouso dizer.

Ou seja: muitas vezes quem escreve já entra neste mundo com as expectativas baixas na questão financeira e quem não o faz, acaba aprendendo na força a diminuí-las. Muito além disso, quem escreve no Brasil o faz porque ama e não visando um retorno financeiro ou fama. O que, de certa forma torna tudo um pouquinho mais difícil, especialmente se você tiver Transtorno de Ansiedade (hihirivotril), afinal, lidar com a arte é lidar diretamente com um pedacinho de você dividido com o mundo — o que por si só já é assustador para caramba.

O cenário acima foi literalmente o jeitinho que resolvi me arriscar na escrita. Assim que comecei a escrever e sonhar com uma publicação já mantive os pés nos chãos porque sabia que “escritor no Brasil passa fome, não dá para viver de escrita só”. Para ser bem sincera, estava relativamente okay com isso (um pouco frustrada, mas né, essa é a vida adulta rs) e preparada para ter um trabalho convencional e ser escritora no paralelo.

Foi então que levei um balde de água fria pela primeira vez: a quantidade de calotes que escritores iniciantes tomam. Aprendi isso, claro, na prática quando uma editora pequena aceitou publicar MiA e na emoção acabei fechando o contrato. No meu caso, ela não cobrou pelo lançamento, apenas em algumas questões extras como revisão etc., por outro lado, nunca vi um centavo do que deveria ganhar com direitos autorais, ou do que deveria receber durante o lançamento do livro.

Fora ter um total de zero apoio em questão de divulgação da obra. Isso que eu não havia fechado com uma editora grande onde havia gente maior e “mais importante” no ponto de vista de retorno financeiro. Era mais uma autora invisível entra tantas outras pessoas ali… ou no caso, entre tantas que acabaram tomando um calote.

Não vou negar, esse fato (junto de tantas outras questões pessoais) me abalou demais. Especialmente porque, além do calote, aquele ainda não era o momento certo para colocar algo meu no mundo — não que a gente saiba quando é, mas sinto que devia ter me acostumado mais com a ideia de dividir aquele pedacinho de mim daquela forma.

Hoje vejo que devia ter feito as coisas de forma diferente e, por conta do TAG, estou levemente (ok, bastante) paralisada em relação à (re)publicar MiA. Isso fora toda questão de ter que divulgar, chamar as pessoas para ler etc.

Confesso que comentários negativos em relação ao que escrevo, às minhas histórias não são tão assustadores quanto simplesmente não conseguir nenhuma resposta, se é que isso faz algum sentido. O medo de não ser boa o suficiente nem para ter escrito algo atrativo é demais. Porque esta sou eu: a pessoa que lê e escreve o tempo todo, sem a escrita e sendo ruim nisso, é como se eu perdesse toda minha identidade.

Então fico presa em uma constante: não quero divulgar para não lidar com a falha, me sinto uma falha por não conseguir chamar as pessoas para ler e conhecer minhas obras porque não divulgo, sempre acho que estou sendo insuportável.

É tudo muito assustador. Pensar em dividir um pedacinho de mim com o mundo, mas temer fazê-lo a ponto de paralisar e ainda ter que lidar com toda a questão de desvalorização do mercado em si.

Mas apesar de tudo, amo escrever, amo mergulhar em uma história e até nas pesquisas em relação a ela. Nada se compara à sensação de quando todas as pecinhas de ideias se encaixam e você descobre que aquela ideia, aquele sonho, aquele fragmento agora é um todo. Estou assustada, com medo e paralisada, mas espero em breve superar tudo isso.

É isto.

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