Por que lemos tantos livros independentes?

Se você acompanha nossos perfis no GoodReads (Flavia | Renata) ou o que falamos das nossas leituras nas redes sociais, talvez tenha percebido que, além de podrões ❤ (saiba mais sobre o que é um podrão clicando aqui), nossas leituras têm basicamente se resumido em livros publicados de forma independente e/ou por autoras independentes.

Neste post, viemos conversar um pouquinho sobre o porquê disso e nossas opiniões acerca da publicação tradicional (brasileira e gringa), hehe. 

Sobre o mercado editorial gringo

As grandes editoras têm foco no que está vendendo no momento, o que, se pararmos para pensar faz todo o sentido, já que, apesar de lidarem com arte e cultura, ainda são empresas que precisam de capital para poderem existir. No entanto, se quiser ler algo diferente, que não siga a modinha do momento, a dificuldade é maior com as editoras tradicionais.

Por isso que muitas vezes, em determinados períodos parecemos ler sempre o mesmo livro, a mesma história, os mesmos personagens, o mesmo tema. Isso aconteceu com o boom dos anjos, o boom dos vampiros e seres-sobrenaturais, com as distopias, retellings e, agora, com os fae. É só pensar nos autores mais populares atuais ou de alguns anos que acabaram até sumindo. 

Quando o YA começou a ganhar espaço, era muito comum ter histórias centradas no romance. Houve uma época em que o triângulo amoroso era o auge, vocês lembram? Esse tipo de romance ficou tão saturado, que de repente sumiu dos lançamentos. Em seguida o foco no romance também parou de ser tão explorado, porque a moda focou em histórias que abordassem alguma questão política ou a não necessidade dos persongens se relacionarem etc.

Por exemplo, nós estamos em um momento parecido: ambas queremos livros com romance como um dos pontos principais da história, queremos hot (risos) e o tipo de história que procuramos não se encaixam no YA e nem na literatura adulta ou muito menos no que as grandes editoras costumam considerar NA (que normalmente são livros estilo Off-Campus, After etc.). Ou seja, a leitura que estamos com vontade de fazer não se encaixam no padrão da publicação tradicional.

Além disso, acabamos indo parar na literatura de nicho e poucas são as editoras que vão arriscar publicar assim. Afinal, a palavra nicho já resume tudo, já que o significado dela é sempre ligado à uma porção restrita de algo, algo específico. Vamos concordar que, para empresas na busca por lucro, focar nisso não é lá algo muito massa, né?

Outro ponto muito importante que nos fez acabar focando nas publicações independentes é o fato de quem escreve tem maior (ou até completa) liberdade para escrever o que querem e como querem sem correr riscos de precisar adaptar ou cortar coisas da história para que ela se encaixe no padrão ideal para vendas. 

Por exemplo, a autora Scarlett St. Clair, já disse preferir publicar de forma independente porque, em relação aos livros dela, as editoras sempre comentam sobre como a fantasia com foco no romance para adultos é algo complicado de vender. Os leitores de fantasia não sabem exatamente como lidar com esse foco, e os de romance com a fantasia. Como se a pessoa não pudesse gostar dos dois… e mesmo que o autor entregue algo que a publicação tradicional considere bom, ainda não terá um acordo rentável como os mais famosos do momento, que sempre se resumem em três ou quatro pessoas por editora — bem parecido com o que acontece por aqui, né?

Além disso, ela também fala algo que realmente faz muito sentido: as editoras sempre fazem o autor sentir que não é bom o suficiente, quando isso não é verdade. Ele só não é o que elas acham que vende mais no momento e não segue os padrões que elas estão procurando. Vale lembra que existem muitas autoras independentes que são best-sellers. 

É muito comum quando a autora independente se destaca e ganha um publico considerável, que as editoras acabem mostrando interesse nos livros que elas já escreveram ou estão escrevendo. A Scarlett St. Clair é um bom exemplo desse movimento, assim como a Elena Armas. As duas alcançaram tanto sucesso com suas publicações independentes que as editoras foram até elas. Para o autor, essa fama é uma boa forma de negociar com a editora. Mas ainda assim, é importante lembrar que a partir disso, esse autor fica engessado pelo cronograma de publicações e divulgações da empresa — que muitas vezes acabam prejudicando mais do que ajudando.

Eu poderia passar horas dizendo como editoras tradicionais podem acabar ferrando com quem escreve, não só fazendo a pessoa achar que não é boa o suficiente, como exigindo que suas histórias entrem em um padrão que elas acham ser melhor (e o melhor aqui, significa seguir uma moda e consequentemente, vender mais); causando em cima de uma pessoa a ponto dela ter dificuldade para escrever o livro que fechou acordo; ou até mesmo não focando na divulgação etc. porque existem autores mais requisitados… 

Nós, como leitoras, só queremos ler livros com focos no romance; livros de bikers; de aliens azuis ou até mesmo um reverse harém. Temáticas que editoras tradicionais acabam preferindo não arriscar publicar, ou, se publicam, acabam por não optar para divulgação e deixam o livro ali, jogado às moscas porque não é algo que será vendido para a grande massa. 

Ou seja: nós não encontramos o que queremos no meio tradicional, que por sua vez pode destruir o sonho de autoras que não escrevem as “histórias do momento” ou que se encaixem em algo que o grande público vai ler (isso que nem entramos no contexto de literatura escritas de mulheres para mulheres, NA ou YA que são consideradas por muitos babacas como subliteratura).

Ok, falamos demais aqui e esse post terá que ser dividido em dois, haha. Porque tudo isso que abordamos está de acordo com o mercado editorial na gringa (especialmente dos EUA, que é de onde mais consumimos). Aqui no Brasil, existem problemas semelhantes, mas que seguem o padrão da nossa cultura com a literatura e cultura no geral… ou seja: pode ser ainda mais complicado, haha. 

Enfim, continua… 

Cenas dos próximos capítulos: 90% dos livros nacionais que consumimos são independentes. 

2 comentários em “Por que lemos tantos livros independentes?

  1. Sua explicação foi bastante clara, Renata. É realmente uma pena as editoras precisarem investir em livros repetitivos e moldados, de certa forma, para seguir o que está bombando. 😦

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