Desmistificando o podrão

Antes de começar, é importante ressaltar que não chamamos esses livros de “podrões” por serem ruins, ok? É só uma forma carinhosa de nos referirmos a eles. Não lembramos exatamente quando e nem como começamos a chamar os livros guilty pleasure assim, mas a mania pegou e ficou. 🤷🏻‍♀️

Mas afinal, o que é um podrão? De acordo com o dicionário linguagem de Flavia e Renata/Português, podrão é todo livro guilty pleasure escrito por adultos para adultos.

Qualquer categoria/gênero entra aqui. Sabe aquele romance gostosinho de ler, que fez você rir, mas que não é conhecido por sua escrita poética e nem por um plot profundo que vai mudar sua vida? Ele pode ser um podrão. Detalhe importante e que define totalmente um podrão: o livro não mudar a sua vida, não significa que ele não é bom, ok? 

A ideia para este post nasceu de uma revolta interna. Acompanhamos diversos perfis nas redes sociais e Youtube que falam sobre livros e o mundo literário de forma geral e percebemos que alguns (vários) títulos geram polêmicas um tanto quanto desnecessárias.

Apontar problemas é importante? Com certeza! Mas será que chamar o leitor de burro e duvidar da capacidade de interpretação ou até mesmo por que não, da noção dele, não é um pouco presunçoso? 

Vamos partir do começo para ficar mais fácil de organizar o pensamento.

Grande parte dos livros problematizados hoje em dia, como o 365 Dias e o nosso bom e velho Cinquenta Tons de Cinza, são escritos por adultos, para adultos (e frisando: abordam fantasias das autoras e claro, leitores). No entanto, pessoas mais novas também estão lendo esses livros. Ok, nós sabemos disso, mas esse não é o público alvo desse produto.

Por isso, quando os leitores começam a apontar problemáticas, com o únicio propósito de “lacrar” na internet, fica complicado. Você acha mesmo que o público alvo desses livros não é capaz de distinguir fantasia da realidade? Que a fulaninha que suspira pelo Massimo quer mesmo ser sequestrada por um mafioso na vida real? Ou que acredita que os mafiosos do mundo real são como ele?

Sim, nós sabemos que o Bolsonaro foi eleito no Brasil. Mas estamos falando de pessoas, não de bolsominions. 

A questão é: Por que você vai ler um podrão com o intuito de trazer o plot para a realidade? Se a proposta for chover no molhado, tudo bem, mas não faz sentido. Quer dizer, quando você está lendo um livro com seres mágicos ou com poderes, vai analisar literalmente essa questão? 

A proposta desse tipo de livro é colocar em palavras uma fantasia. Você está viajando pela Itália, bem plenx e, de repente, é sequestradx por um mafioso belíssimo e milionário que vai te manter presx por um ano com o propósito de que você apaixone por ele e o mais importante: ele não vai fazer nada contra sua vontade,  não vai tocar um dedo em você, que vai apenas viver de boas no luxo, umas férias longas na Itália com tudo pago. 

No livro é divertido, é para servir de entretenimento. Na vida real, tem mesmo como alguém achar essa situação ok? Ou no caso, acreditar que existiria a hipótese de uma coisas dessas acontecer na vida real, do tipo, sequestrar alguém para se apaixonar e não machucar a pessoa de nenhuma forma? Sério?

Quando você leu Crepúsculo, a sua meta de vida passou a ter um relacionamento com um vampiro? Não sonhar com um vampiro e pensar “se fosse real”, mas sim procurar por um “vampiro de verdade” para viver um grande amor e altas aventuras? Em outras palavras, acreditar que vampiros (em especial aqueles vampiros) são reais. 

Essas histórias, assim como Crepúsculo ou qualquer outra fantasia, não são escritas e publicadas para serem levadas assim tão a sério, tão ao pé da letra. 

A real é que as pessoas estão perdendo o tempo delas, problematizando livros com aliens, por exemplo. É uma fantasia. De aliens azuis. Que se passa em outro planeta. Como alguém consegue pegar isso e transformar em um problema? Esse é só um dos diversos exemplos que já vimos por aí.

Então isso quer dizer que NADA deve ser problematizado? Aí você está forçando a amizade, né colega? 

Alguns livros podem se tornar perigosos sim, em especial aqueles que são escritos por adultos para um público adolescente. Quando falamos isso, estamos sim apontando o dedo para títulos como After e Belo Desastre. 

No primeiro caso, temos uma autora jovem que escreve para outras jovens, mais novas ou com a mesma idade que ela na época, que dividiam o mesmo sonho de conhecer e namorar o Harry Styles. O que não é condenável, mas precisamos tomar cuidado com o que é retratado ali. Existem trilhares de fanfics da One Direction por aí, por que After, sendo tão problemática, ficou tão famosa? Assim como temos romances NA menos problemáticos do que Belo Desastre que não tiveram o mesmo apelo para o público. 

Até porque, existe uma linha tênue entre bad boy e o abusivo. Esses dois títulos acabam ultrapassando essa linha a ponto que causem estranheza e incômodo e claro, preocupação em relação a uma parcela do público que está lendo.

Resumindo, livros como 365 Dias ou Cinquenta Tons de Cinza são escritos para um determinado público alvo. Adultos. Que deveriam ter alguma noção do que estão lendo. E isso nem significa que a gente goste deles, até porque não lemos 365 Dias e não gostamos de 50 Tons de Cinza — inclusive, existem muitos outros que abordam o cenário BDSM de forma melhor, ou talvez tenha sido um erro divulgar o título como um livro sobre o assunto, porque ele não é, na real. Ele aborda um homem que foi abusado e como esse abuso refletiu na vida dele e o BDSM, não tem nada a ver com abuso e sim de confiança e respeito, mas isso pode ser assunto para outro post se vocês quiserem, porque temos muito a falar sobre o assunto, haha. Mas compreendemos a proposta desses livros e tantos outros que são problematizados sem necessidade.

 De toda forma, independente do conteúdo, meninas de 12 anos, que ainda estão em formação, não são o público desses livros. Ter fantasias com o plot de um livro é muito diferente de querer viver aquelas situações no mundo real, ou até mesmo de pensar que a vida real funciona da mesma maneira que essas histórias. Eu pelo menos nunca quis namorar um biker e ser traída por ele. Ou ter um casamento arranjado com um boy mafioso que nunca vi na vida… O que eu queria mesmo era ganhar na mega-sena.

Um comentário em “Desmistificando o podrão

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