30 coisas que percebi ao fazer 30 anos

Nasci no dia 22 de junho (câncer com ascendente em touro, beijos) e, conforme fui ficando mais velha, fazer aniversário foi se tornando cada vez mais complicado pra mim. Chegou num ponto de ser algo que me deixa bem estranha. Passei a não querer comemorar e a pressão que os outros fazem em torno disso, acaba aumentando a tensão em torno da data (e este ano ainda foi no meio de uma pandemia).

Este ano as coisas ficaram um pouquinho mais complicadas, pois foi a data em que fiz 30 anos (sim, EU SEI). Já tive diversas crises de ansiedade, várias sessões de terapia surtando e coisas do tipo, risos (para não chorar). Por sorte, o “grande dia” já passou e sobrevivi sem muitas sequelas kkkcrying. 

Nem vou trazer aqui cada motivo da crise, cada pensamento que minha ansiedade resolveu gritar no meu ouvido até porque é um gatilho enorme para mim — a gente tenta fugir desses pensamentos o máximo possível porque são uma grande parte do meu tratamento de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizado)… ou seja: PESADO. 

No entanto, eu meio que senti que precisava fazer um post sobre 30 anos; sobre não se sentir adequada às pessoas ao redor ou até mesmo à sociedade como um todo; sobre conviver tanto tempo com o TAG e sei lá, talvez ajudar um pouquinho alguém mais nove que eu e que sinta as mesmas coisas que sinto e senti por tanto tempo, mostrar que não está sozinhe e acima de tudo, mostrar que a idade pode sim ajudar a gente a lidar com tanta coisa e que apenas o tempo (e, talvez, terapia) faz a gente ver a vida de forma mais leve e até com mais esperança, talvez? 

Escrevi esta lista em um momento que queria visualizar coisas boas da minha nova década, até porque eu sempre me senti mais nova do que realmente sou e existem muitos pensamentos conflitantes em relação a isso (como disse, entrei em crise, haha) e hoje vou dividir um pouquinho o que aprendi e foram coisas boas! Espero que gostem! ❤

Vamos lá? Prepara pra um post bem pessoal e com algumas fotos randônicas haha.

1. Planejar a vida e criar um prazo de validade para as coisas realizarem só faz sofrer. 

Apesar de nunca ter sido a pessoa a pensar “aos x anos quero estar formada, casada etc.”, obviamente eu tinha alguns planos que ficaram totalmente confusos pelo caminho. Demorei muito mais do que o considerado “normal” para encontrar um curso na faculdade, não realizei o sonho de intercâmbio e não estou morando em Londres com uma vida financeira de sucesso desde os 25 anos como sempre sonhei. Nope. Longe disso. 

No entanto, isso tudo não significa que eu ainda não possa ter uma experiência de morar em outro país (a ideia de Londres, apesar de ser um local no qual tenho muito carinho já mudou, como eu mesma mudei), que é tarde demais, como minha psicóloga me lembra a cada surto. 

A verdade é: praticamente nada sai do jeitinho que a gente planeja, mas sim do jeito que a gente precisa. Mesmo que doa e/ou demore para gente entender exatamente o por quê. 

2. Almas gêmeas existem. Mas não apenas no sentido romântico. E mais: diversas delas passam pela nossa vida.

Por isso, não procure uma metade sua em outra pessoa, mas sim pessoas que te fazem melhor e trazem leveza para sua vida. É curioso que elas podem ser pessoas extremamente próximas (física e emocionalmente); podem ser um pouco mais distantes mas são aquelas que te compreendem diversos aspectos essenciais, entendem sua maneira de pensar e têm uma visão da vida muito parecida. Às vezes elas vêm para ficar, às vezes elas ficam apenas por um momento.

O que é um post pessoal sem fotos vergonhosas da infância?
3. Às vezes pessoas que genuinamente gostam e se importam com você fazem muito mal.

Relações tóxicas nem sempre são propositais. Já teve/tem alguém na sua vida que você sente e sabe que ela se importa com você, mas que em algumas questões age de forma meio… complicadas, assim como você também se enxerga um pouquinho diferente? Com a pessoa, passa a ser mais competitiva, insegura e não se sentir bem com determinados assuntos. Pois é.

 Nem sempre as pessoas agem de forma tóxica propositalmente, nem sempre elas o fazem porque não gostam de você, nem sempre elas agem dessa maneira 100% do tempo, nem sempre a relação tóxica ocorre em apenas um dos lados e acima de tudo: você pode ser essa pessoa para alguém que gosta, se importa mesmo sem querer. 

 4. É preciso saber perdoar, mas isso não significa esquecer tudo que aconteceu

Ninguém é perfeito. Sua mãe não é perfeita, sua melhor-amiga/melhor-amigo não é perfeita/o; seu/sua namorado/a não é perfeito… eles vão errar e vão te machucar. E a gente precisa se permitir perdoar, mas isso não significa deixar que volte a se repetir ou então, dependendo da gravidade, deixar a pessoa continuar na sua vida.

Eu não sei como eu tinha a coragem de dizer que não era emo.
5. Às vezes a gente demora para descobrir quem é, o que quer e tá tudo bem.

Apesar da gente sentir o tempo todo que tem um relógio em cima da cabeça ditando quando cada momento/experiência da vida deve acontecer, não é bem assim. Tudo tem seu tempo, inclusive você. Dói sim, ver as pessoas ao redor vivendo aquilo que você acredita que deveria estar fazendo/vivendo, mas quando descobre que você tem o seu próprio tempo, é de certa forma libertador — apesar de existirem altos e baixos em relação a isso, especialmente baixos. 

6. O mundo pode ser bem cruel quando a gente demora para se descobrir e isso pode doer muito.

Na verdade, ainda dói um pouco, mas a cada dia chego mais perto de ver que ser diferente e traçar caminhos fora do padrão das pessoas ao meu redor não significa ser menos ou coisa do tipo.

7. As amizades à distância podem ser muito mais verdadeiras e duradouras do que as físicas.

Especialmente porque normalmente esse tipo de amizade nasce de um interesse mútuo, muitas características em comum e não por praticidade, por estar perto (não que isso significa que essa segunda opção não proporcione algo com base no que foi citado acima ou verdadeiro, ok?). 

Confesso que tenho muito mais em comum com as minhas amizades que conheci na interwebs do que com pessoas que cresci (e amo). Também tenho amizades que duram até hoje de pessoas que conheci pela internet quando nunca mais falei com gente que vi todos os dias, ou com uma grande constante durante anos. A Renata é um bom exemplo disso, nos conhecemos pelo orkut em 2007 e somos muito amigas até hoje, inclusive nossa amizade fortaleceu mesmo quando começamos a produzir conteúdo pro Psycho Reader juntas, antes eram longos e-mails reclamando da vida de tempos em tempos. Hoje são longas conversas quase diária reclamando da vida e falando sobre livros, haha.

8. Tentar mudar para agradar os outros só traz desgosto.

Sempre me senti um alien e, na adolescência, obviamente isso piorou. Por esse motivo, tentei mudar para me encaixar mais nos grupinhos nos quais fazia parte — ao mesmo tempo que sentia uma distância enorme daquelas pessoas — e vivia num constante medo de ser deixada de lado e com a eterna sensação que ninguém ali gostava de mim. Nem eu gostava de mim, especialmente por ter tido atitudes escrotas para tentar me encaixar e/ou tirar a atenção de cima de mim ou pior: tentar chamar atenção (estou cringing nesse momento com lembranças). 

Tentar ser alguém para me encaixar não funcionou. Por dentro ainda era a mesma alien e praticamente estava vivendo sozinha cercada de pessoas, tudo por medo de ser taxada de estranha. E adivinha? Um dia fui chamada de “estranha” por uma menina que eu não suportava na faculdade, que representava pessoas que tentei me encaixar anos antes e eu só olhei e dei de ombros e feliz com quem eu sou.

Claro, isso demorou alguns anos e se você é adolescente, sente como eu sentia e está lendo isso: a sensação de ser um alien e odiar e tentar se encaixar desesperadamente tem a tendência de passar e melhorar. Parece clichê de avó (mas hey, tenho 30 anos e experiência, então posso soltar essas frases haha), mas ser você mesme é um alívio.

9. Você é incapaz de fazer todo mundo que ama feliz o tempo todo.

Especialmente se isso anular a sua felicidade. 

Tentar agradar tudo e todos, só faz você deixar de aproveitar momentos e te deixar frustrade ou infeliz porque isso é impossível. Tudo bem ser um pouquinho egoísta e pensar na sua paz de espírito e deixar os outros para lidarem com certas questões de vez em quando. 

E também tá tudo bem se essa sensação de querer ver todo mundo feliz, tranquilo e aproveitando as coisas te consumir a ponto de você se limitar pelos outros. Só lembra que não é sua culpa se você não conseguir, ok?

10. Não é preciso sentir culpa sempre que quiser/precisar/disser não.

E às vezes, é melhor superar a dor da culpa de dizer não do que o que o sim vai te trazer.

11. É impossível ser perfeite o tempo todo e nunca errrar.

Parece meio óbvio, mas muitas vezes a gente se pune e exige demais sem nem perceber, então é bom lembrar que errar faz parte da vida e não é o fim do mundo, apesar da ideia do erro ser quase paralisante. No fim das constas, a gente consegue lidar com tudo e às vezes nem é tão terrível como o cenário que a nossa mente cria em torno do medo.

12. Tá tudo bem precisar, pedir e aceitar ajuda (profissional ou não).

O mundo é intenso demais pra gente sobreviver sozinhe. Nossa cabeça é complexa demais pra gente lidar com ela sozinhe.

13. Não precisa se sentir culpade se precisar de remédio para dormir, acordar e levar o dia. 

Se existe a necessidade de remédio para isso, é porque seu cérebro não está produzindo o necessário para você funcionar bem. Mas lembre-se o remédio é apenas uma ajuda, não dá para achar que vai melhorar magicamente depois que começar a tomar, ou que não precisa se ajudar. Para isso existe terapia e essa é a melhor coisa que você vai fazer por si mesme (sério, sem a terapia dos últimos anos, eu não estaria fazendo essa lista, apenas chorando em posição fetal).

14. Terapia é essencial.

Se puder, faça.

É essencial para se conhecer, essencial para se perdoar, essencial para aceitar suas questões e essencial para lidar com os outros também. Mas o profissional ideal para você pode demorar anos e anos para encontrar. Não desista. 

15. Nem todo mundo vai usar suas inseguranças/medos/incertezas contra você.

Mas ainda assim vai ser muito difícil se abrir para as pessoas. Praticamente um aprendizado constante. 

Também tem o outro lado: nem todo mundo vai tratar suas inseguranças/medos/incertezas com carinho, no primeiro momento que algo do tipo for usado contra você, toma cuidado. 

16. Tá tudo bem ficar sozinhe. Você não precisa estar o tempo todo cercade de pessoas.

Vai chegar em um momento que você vai sentir sozinhe, nem que seja durante um fim-de-semana quando todo mundo tem outras coisas pra fazer, ou porque se afastou/brigou com pessoas ao seu redor. Pode rolar um pequeno desespero. Respira fundo e aproveita sua própria companhia, você vai aprender muito mais sobre si e ainda pode até descobrir muito sobre si. 

Tire um momento para autodescobertas. De todos os tipos. 

Breakfast @ Tiffany’s
17. Tá tudo certo desistir das coisas.

Muitas vezes a gente precisa testar antes de saber o que gosta/quer/quem realmente é. 

18. Sentir que precisa mentir para não decepcionar os outros não te faz o problema. 
19. Às vezes as pessoas que a gente mais ama são quem mais nos machuca.

E a gente precisa aceitar e conviver com isso.

20. Você não precisa ser forte o tempo todo e guardar tudo.
22. Seu peso não te define.

Os números da balança são apenas isso e não que você é uma falha ou sucesso. Você não é menos porque está acima/abaixo do peso e não precisa se odiar por causa disso. Vai com calma, respira fundo e não importa o que algumas pessoas digam, seu peso não te faz uma pessoa pior/melhor.

Ter 42kg não me fazia mais feliz e esse sorriso escondia muita, muita dor
23. Seus sonhos não têm prazo de validade para serem realizados.

Mas também não vale usar isso como desculpa pra não correr atrás deles, ok? Mesmo que fazê-lo seja assustador. 

24. Não foque no que você não realizou, mas sim no quanto já caminhou. 

Coisas que você poderia considerar pequena também contam, ok? Nenhuma conquista é pequena demais, só você sabe o que teve que lidar interna e externamente para conseguir chegar ali. Também não se compare com os outros, especialmente com seus/suas ídolos – especialmente se eles têm uma idade próxima à sua. Isso só faz sofrer e cada um tem o tempo, vida e experiência.

25. Você ainda tem muito, muito o que aprender.

O mundo é vasto demais para você achar que sabe tudo, tenha humildade em ouvir pessoas que estão em lugares diferentes de você, entender a vivência dos outros. Além disso, você vai quebrar a cara algumas vezes achando que sabe exatamente com o que/quem está lidando, mas a vida chega na voadora dizendo “nope”. Se você receber tudo com humildade, não vai ser tão difícil. 

26. Reforços positivos são bons. Mas não são tudo.

Não espere ou tenha necessidade de ouvir/receber algo de positivo para ter orgulho ou achar que sucedeu em algo. Confia em si, se você sentiu orgulho, é o que basta. Você é incrível por ter feito/chegado onde chegou e toda batalha, por menor que seja, é importante. 

27. Se arrisque.

Pode ser assustador.

Pode não dar certo e vai doer. Mas você tem muito chão pela frente e muito aprendizado. 

Mas também pode dar certo e ser completamente incrível!

28. Seus sonhos e desejos mudam o tempo todo.

Algumas dessas mudanças podem parecer assustadoras de início, mas são super normal. Depois elas ainda podem voltar, o que é bizarro, mas a vida é bizarra. 

29. Praticamente nada sai do jeito que a gente planeja.

Pode ser uma coisinha pequena, como uma saída com os amigos, como algo grande sobre sua carreira. Mas isso não é necessariamente algo ruim.

A vida dá um jeitinho de ser da maneira que a gente precisa.

30. Você é muito mais forte do que imagina. 

Quando olhar para trás daqui a alguns meses, anos ou até mesmo décadas vai conseguir ver tudo que te moldou e encontrar explicações para tanta coisa da sua personalidade. E as coisas ruins, as cicatrizes, fazem parte de você e te tornam mais forte. 

Essas foram 30 coisas que aprendi durante meus 30 anos nessa Terra maluca e que segue cada dia sendo mais louca ainda. Este post foi um desabafo para ver minha nova década de uma maneira positiva e também espero que possa ajudar alguém a ver que não está sozinhe ou completamente perdide. Estamos nessa juntes. 

Espero aprender muito mais nos próximos anos e viver mais feliz também! ❤

4 comentários em “30 coisas que percebi ao fazer 30 anos

  1. Que post poderoso, quero dizer obg e te dar um abraço! ✨✨✨ Nos últimos 4 anos q sigo vc e a Renata, a sua trajetória publicando o primeiro livro, lidando com TAG e com problemas alimentares tem me inspirado muito e fizeram com q eu me sentisse menos sozinha nesse mundo. Sem falar das dicas de livros maravilhosas.
    Espero q pelos anos que estão por vir sua luz brilhe ainda mais forte (e confiante).

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  2. Que gracinha nós fazemos aniversário no mesmo dia! Também tenho uns problemas com ansiedade e ler seu texto foi muito acolhedor, um sinal de que tudo vai ficar bem.
    Parabéns para nós, e que no próximo ano possamos estar comemorando em circunstâncias melhores 💜

    Curtido por 1 pessoa

  3. Obrigada por compartilhar esse texto inspirador. Com quase 30 anos e em época de quarentena, consegui me sentir virtualmente abraçada por suas palavras. Sempre bom relembrar que nao estamos sozinhas nessa jornada ❤

    Curtido por 1 pessoa

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