Dica de escrita

Dica de escrita: outline

Hello there! ❤ Além de fazer bastante tempo que não aparecia por aqui, o tempo de post relacionado a escrita era ainda maior! Mas já pretendo “corrigir” isso falando um pouquinho sobre processo de escrita e dicas que podem ajudar não só a escrever ficção, como também um trabalho acadêmico ou qualquer tipo de trabalho que envolva a criação de um texto longo. Portanto, pretendo começar uma série de posts falando um pouquinho sobre essas dicas de maneira mais profissional, mas claro, contando minhas experiências pessoais também quando possível! O que acham?

Para este post, usei como fonte o centro de escrita de Harvard: o Harvard College Writing Center e o site FastEssay que apresentam uma pegada mais para a escrita acadêmica, que apesar de importante, não é o meu foco ou o foco do blog, haha. Para relacionar com a escrita de ficção, também vou usar como fontes o site da autora E.M. Welsh, que eu super recomendo caso você leia em inglês e queira dicas para escrever! ❤

O que é Outline?

De acordo com o dicionário de Cambridge, outline significa descrição ou a forma “geral” a algo.

No caso da escrita, é basicamente planejar a história e colocar os primeiros esboços da ideia no papel, organizar as ideias iniciais. Uma das características mais interessantes do outline é que ele pode ajudar a visualizar como as ideias se conectam — ou não — e o que precisa ser trabalhado de forma mais cuidadosa.

É um processo importante e que, quando comecei a escrever, nunca tinha ouvido falar ou usei… apenas colocava as ideias no papel. Por sorte, no caso de DRAPS (se você chegou aqui agora, publiquei um livro e estou escrevendo a continuação, só clicar aqui para saber mais, hehe), o primeiro livro foi realmente o início de tudo e por isso, não precisei pensar muito porque nada seria aprofundado realmente, o bicho pegou mesmo foi em DRAPS 2, que sem saber, acabei criando um outline e continuo fazendo até mesmo na revisão, para me ajudar nos próximos livros!

O outline é o início de uma organização para a escrita, mas ainda assim é preciso ter uma noção daquilo que vai ser colocado no papel — seja um texto acadêmico ou até mesmo na ficção —, se você já tem/precisa de fontes de pesquisa, é sempre bom fazer algumas anotações de palavras (ou conceitos) chaves que podem vir a ser necessários no futuro. No caso, todas essas anotações podem parecer jogadas no primeiro momento, mas é aí que entra a importância e a utilizada do outline, porque é ele que vai ajudar a organizar tudo de forma de fácil entendimento e visualização para quando a escrita real oficial (haha) começar.

O que nos leva para o segundo passo, o primeiro em relação a criar um outline: sentar e analisar todas as informações iniciais e organizá-las. Seja por meio de categoria, por listas, ambos…como preferir. É observar onde cada uma dessas informações se encaixam e separá-las da maneira que se encaixem e conversem entre si. Um exemplo seria as características de personagens criados, é interessante deixar-las todas juntas em um mesmo arquivo ou pasta para ter acesso de forma rápida e sem confusão.

Caso seja um texto acadêmico, se você estiver falando de um assunto x, junte todas as informações (fichamentos, ideias principais de textos menores que leu etc.) acerca aquele assunto em um só local. Eu indico a criação de pastas específicas ou juntar tudo em um único arquivo de Word/Pages/o processador de escrita da sua escolha (caso as informações sejam pequenas, para o caso de fichamentos, a pasta específica talvez seja melhor). Ou então, se você tem o Scrivener, ele é ótimo para criar outlines (para saber mais sobre ele, clique aqui).

Se você quiser escrever uma ficção, a autora E.M. Welsh tem algumas dicas super interessantes para a criação de um outline! Aliás, no site dela, há muitas dicas bem legais para escrever e já entrou na minha lista de favoritos, depois que o descobri para ajudar na criação deste post! Ela cita 6 técnicas que vão ajudar a descobrir mais sobre aquilo que quer escrever e tornar o processo mais organizado e também ajuda a escapar de um possível bloqueio — afinal, um dos motivos para o tão temido bloqueio acontecer é quando chegamos em um ponto que as ideias estão bagunçadas e queremos falar de muitas coisas ao mesmo tempo, sem saber por onde e como começar, ou até porque faltou uma organização inicial quando começou a escrever (meu caso com DRAPS e DRAPS2).

Enquanto lia, me dei conta que muitas dessas técnicas podem ser usadas em conjunto! Ou seja, a dica aqui é encontrar não só o que é melhor para você, como também o que é melhor para a sua história, já que às vezes elas meio que têm vida própria e precisam de um processo especial, haha. Enfim, vamos às dicas?

Estrutura de 3 atos

É uma das técnicas mais tradicionais para criar outlines e para começar, é só escolher uma estrutura de como quer trabalhar aquilo que está escrevendo e então, usar elementos do enredo para guiar o processo todo. Pode ser usada para projetos grandes o pequenos, basta adaptar com foco em capítulos, caso seja algo maior ou até mesmo parágrafos, no caso de contos, por exemplo e é ideal para quem tem dificuldade em criar uma estrutura para o que escreve e quer um norteamento para garantir que a história está seguindo uma narrativa coerente.

Para esta técnica, são criados 3 atos e cada um deles, é usar como base a própria jornada do herói: chamado da aventura; provação; retorno com o elixir. Caso você não conheça a jornada do herói, é só clicar aqui para ler mais sobre o assunto, hehe.

Fonte: Interprete.Me

ATO (1,2 ou 3)
1 O começo
* capítulo
– cenas
2 Acontecimento instigante que serve como gancho para o próximo ato (ou o final, caso seja o último)
3 Aquilo que você considera/pode mudar.

Desvantagens: não é indicada caso goste de escrever de maneira mais livre ou se quiser flexibilidade; pode trazer dificuldade se quiser trabalhar com um algo mais detalhado.

 Mapa mental

Mapas mentais são o tipo de outline mais “desorganizados”, mas por outro lado também podem ajudar muito com a exploração criativa. São bem individuais e ajudam escritores de formas diferentes, já que o método não apresenta estruturas mas sim associação livre.
Para criar um mapa mental, deve escolher um tema, personagem ou até mesmo uma cena da sua história. Escreva a cena no centro de uma página em branco e então desenhe linhas que saem do centro. Nessas linhas, você pode indicar o que quiser, sejam as características de uma personagem; coisas que podem acontecer; o que quiser. Então, de cada uma dessas indicações, você pode puxar novas indicações até se encontrar — ou o espaço na folha acabar, haha.
Um exemplo de mapa mental (também muito usado para estudar):

Fonte: geekiegames.com.br

Particularmente não é um método que eu uso, já que sou perfeccionista e nunca consigo indicar as coisas como quero ou então acaba me confundindo ainda mais, haha. Mas muita gente gosta muito e ainda pode ajudar a pessoa a ter mais ideias, com bloqueios criativos e a visualizar plots e subplots para serem explorados depois.

Desvantagens: não é uma estrutura fácil de seguir, portanto às vezes cria dificuldade para usar em outros momentos. Eu indicaria o uso do mapa mental naqueles momentos de tensão quando está com bloqueio relacionado ao plot e precisa pensar em como sair dele.

Notas/Cartões/Post-its

Anotar em cartões permite que você muda suas anotações de lugar sem precisar reescrever tudo. O interessante desta abordagem é que ela pode ser combinada com outras e consequentemente ajuda a explorar diferentes maneiras de contar a sua história. É dela para quem quer um outline flexível e para quem está escrevendo algo com muitas camadas (seja de plot/subplot ou personagens); com múltiplas linhas do tempo e/ou ponto de vistas; ou uma história que não seja linear; também é possível trabalhar com a história de uma maneira mais geral ou até aprofundando cenas/parágrafos etc.

Para criar esta técnica, é preciso ter post-its ou uma pilha de cartões (algumas marcas de papel vendem caixinhas para esse propósito) e em uma das folhas, escreva uma cena ou ideias do que vai aparecer em cada capítulo. É possível incluir informações tipo que personagem vai viver aquilo, local, resumos do que vai acontecer ou apenas cenas que quer incluir na história … a vantagem é que como é feito à mão, também é possível usar cores diferentes para destacar alguns detalhes importantes.

Desvantagens: não dá para visualizar o projeto como um todo e é difícil de analisar como a história vai fluir; também é fácil ficar bem tenso porque as possibilidades são tantas que às vezes nem dá para saber dizer o que você acha que seria melhor para a história.

Particularmente, eu indicaria o uso de cartões para anotar aquilo que é preciso ser visualizado de maneira rápida e para organizar momentos dentro de um capítulo da história, quando for necessário e não para guiá-la como um todo.

Sinopse

É exatamente o que parece. Nesta abordagem, você vai escrever uma sinopse do que planeja escrever — mas com spoilers, caso você já saiba aonde quer chegar, haha. É uma técnica muito boa para quando se tem a ideia inicial e não quer esquecer, então basta anotar o que você pensa que pode falar e depois é só ir trabalhando em cima com os detalhes, é ideal para quem já tem uma ideia inicial do que vai acontecer e ajuda a estabelecer um caminho seguro e é bem flexível para mudanças.

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Curiosidade: a sinopse é o método que eu mais uso sem querer, já que muitas das minhas histórias nascem de sonhos, eu sempre anoto como eles aconteceram de forma breve para depois trabalhar em cima, hehe.

Desvantagens: a sinopse não oferece uma análise profunda de cena por cena, também pode acabar causando o que me causou: você tem o “grosso”, mas precisa pensar em detalhes, pesquisar caso seja necessário e por aí vai.

Escrita livre

É uma técnica que não apresenta estruturas e basicamente envolve em manter um diário com tudo que você quer que aconteça na sua história, de explorar suas ideias de maneira livre. O método é indicado para quem precisa transformar uma ideia em um conceito de história e para quem gosta de sentar a bunda na cadeira e escrever direto, sem perder muito tempo em planejamentos.

Para esta abordagem, tenha sempre um caderno para anotar o que quer que aconteça na sua história, lá você pode escrever, de maneira paralela à ela, o que você quer/espera de suas personagens, quem elas são, as histórias por trás delas; o caminho que pretende percorrer, ou até mesmo onde quer chegar. É apenas uma tomada de notas daquilo que você já começou ou está escrevendo e ajuda a voltar para detalhes importantes ou saber exatamente para onde está indo; sem contar que também permite explorar a história sem se prender a nada.

A escrita livre é basicamente a técnica que mais usei enquanto escrevia DRAPS e DRAPS2, quando encontrei dificuldade ou precisei pesquisar e pensar no livro, parei a “escrita grossa” e trabalhei com anotações em um caderno ou no Scrivener do que eu queria abordar ou atém minhas pesquisas. Mas conforme avançava na história — especialmente em DRAPS2, me vi com bastante dificuldade e tive que parar para planejar diversos detalhes que não tinha pensado antes.

Desvantagens: é uma tática sem estrutura, então pode levar a uma história sem enredo (o que aconteceu comigo, chegou num ponto que eu não sabia por que tudo estava acontecendo, haha).

Plot line

Esta abordagem não é muito comum, mas oferece uma maneira de unir diversos pontos de vista ou subplot. É uma técnica usada para escrever pilotos de série de tv e se utiliza das letras A B e C para nomear cada característica. No caso, A representa o plot central; B e C são subplots ou outras linhas que você quer seguir, o que é ideal para quem está trabalhando com múltiplos pov e linhas de histórias e que precisam sempre saber o que está acontecendo em cada subtrama.

Por exemplo:

A: plot central ou conflito
Exemplo: um cenário apocalíptico
B: subplot
Exemplo: criação de uma personagem principal e como ela se conecta com o A
C,D, E etc.: outros subplots e subtramas

Depois de estabelecer os diferentes tipos de plot, a história é dividida em atos, cenas ou como escolher. A partir de então, é só listar todos as letras e o que vai acontecer em cada ato:

PRIMEIRO ATO
A: o leitor descobre o que está acontecendo/vai acontecer
B: personagem apresentada e o que deve acontecer com ela

Desvantagens: não é uma técnica que foca na estrutura e pode atrapalhar caso a história escrita não tenha tantas personagens, subplots etc.

E essas foram algumas abordagens para ajudar no planejamento de outlines. Existem diversos sites com diversas listas de como fazer, mas essas foram as que eu mais me identifiquei e que quis trazer para vocês, mas caso não tenha gostado de nenhuma delas, basta pesquisar, ou melhor: criar a sua, afinal não existe uma regra fixa para a escrita, se houvesse tenho certeza que seria muito mais fácil escrever, haha. Eu geralmente misturo diversas dessas técnicas e já fazia sem nem saber, a grande diferença agora é que eu posso me organizar melhor antes mesmo de começar uma nova história!

Espero que tenham gostado do post e não deixem de me dizer se sim, seja por comentário, curtindo, ou até indo falar comigo pelo Twitter ou Instagram — e votando nas enquetes que podem aparecer por lá eventualmente, porque assim posso sempre melhorar o conteúdo daqui do blog! ❤

Um comentário em “Dica de escrita: outline

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