Diário de Escrita

Diário de escrita #6

Escrever um livro não é nada fácil. À primeira vista aquela ideia que surge parece maravilhosa, a gente se empolga e quando enfim vai sentar para escrever… fuen. Sendo bem sincera, para mim e para muitas outras pessoas que escrevem, a pior parte é a produção em si. Os motivos variam desde insegurança com o manuscrito, até o fato de ser meio chato o ato de organizar as ideias no papel ou então uma mistura das duas coisas — meu caso, haha.

Mas, o que fazer para lidar com a escrita em si?

Infelizmente não existe uma forma fácil e concreta, cada pessoa funciona de uma maneira e o único jeito de descobrir como você funciona é ir testando até se encontrar. Não sinto que me encontrei completamente, mas aos pouquinhos isso está acontecendo e como gostaria de encontrar mais posts na internet que dão exemplos de como fazê-lo, vim dividir com vocês um pouquinho da minha jornada. 

Em primeiro lugar, aprendi na prática e da pior maneira o quão importante é organizar o universo no qual está escrevendo. Nos meus primeiros livros, eu o fiz durante a escrita e funcionou. Mas em Draps2 tudo mudou… precisava de um background muito mais elaborado do que em Draps, que é a portinha de entrada para o universo que criei.

Sim, eu já havia pesquisado bastante sobre a mitologia na qual o livro tem base, mas eu não havia criado praticamente nada em relação ao meu universo. Não tinha quais eram os motivos dos vilões, não havia sequer um motivo para as personagens além de chegar em Atlantis e acima de tudo, eu só sabia do psicológico da Evie e da Lola. As personagens secundárias eram tão rasas que cheguei num ponto onde simplesmente empaquei e tive que parar a escrita do livro por um tempo apenas para me organizar.

Em outras palavras, a lição que tirei com esse tropeço enquanto escrevia Draps2 é: organize todo o background antes de começar a escrever; organize as personagens de forma detalhada, mesmo as secundárias, para que elas não sejam rasas — sério, focar só na personagem principal faz com que ela carregue todo o peso da história nos ombros e pode ser uma armadilha para torná-la insuportável.

Crie boards sobre a personalidade de cada personagem para quando elas aparecerem, você ter algo em que trabalhar em torno. Às vezes quando a ideia bate, o que a gente mais quer fazer é colocar no papel para fora, mas pausar um pouco a empolgação pode ser a chave para se conseguir terminar uma história/livro. Também é importante lembrar que quando o bloqueio bate, trabalhar no background (pesquisas, personagens, no universo do que está escrevendo) pode ser a chave para seguir em frente, quando fiquei com bloqueio durante a escrita de Draps2, trabalhar no background me ajudou a voltar a escrever.

Ou às vezes você funciona realmente sentando a bunda e escrevendo o máximo que conseguir para depois trabalhar no que falei ali em cima. Por isso eu digo: escreva e experimente porque só assim você consegue descobrir o que é melhor para si mesmo. Cada pessoa funciona de um jeito para todas as coisas, escrever não é diferente, não tem uma fórmula mágica e única (infelizmente…ou felizmente, já que a magia está nas dificuldades, digamos assim).

Outro fato muito importante é conseguir se desprender das amarras psicológicas relacionadas ao manuscrito e aceitar que você não sente que ele é bom o suficiente é porque ele não é mesmo. Ele só vai ficar bom quando você trabalhar em cima dele e é por isso que a revisão é tão mágica. Nela você tira aquilo que não gosta, aprofunda o que não conseguiu aprofundar o suficiente enquanto escrevia o manuscrito! É nela que se molda a história do jeitinho que tinha em mente.

Claro, o perfeccionismo existe em muita gente e tenho certeza que se qualquer autor pegar seus livros — mesmo os publicados e que foram um sucesso — vão querer mudar algumas coisinhas. É normal nunca estarmos 100% satisfeitos com o que produzimos, mas eu garanto que a primeira revisão (que eu chamo de reescrita) vai consertar tudo aquilo que você odiou enquanto escrevia. Por isso, não se sinta mal ou deixe se abalar enquanto estiver escrevendo por achar que não está bom o suficiente, assim que você começar a trabalhar na história pronta vai ver como tudo fica mais fácil e muito, muito mais gostoso.

A revisão/reescrita/edição é minha parte favorita para ser sincera! O “grosso” da história já está pronto, a pior parte já passou e agora é apenas focar naquilo que quero melhorar, encontrar detalhes ricos e caprichados, o verdadeiro caminho pelo qual seguir… sério, a parte de reescrita tem seus pontos baixos, claro, mas é a melhor de todas. Por isso, não desista do manuscrito, assim que passar por ele, a parte mais difícil, tudo fica mais prazeiroso. Muito mais!

O que sempre dizem quando falam sobre dicas de escrita é a mais pura verdade: escreva. Escrever é a chave para continuar produzindo, terminar um livro, um conto ou até mesmo publicá-los. Mas o que quase nunca ninguém fala é como é difícil colocar as ideias iniciais no papel, vencer a barreira do psicológico que ama nos colocar para baixo, nossas inseguranças e acima de tudo, que nem sempre escrever é gostoso, às vezes pode ser maçante e acima de tudo, depois de um tempo talvez precise ser tratado como uma tarefa, precisa de organização, disciplina e organização.

Talvez o mais difícil seja aceitar que a paixão precise de aspectos de obrigação, mas assim que a barreira for ultrapassada, eu prometo: vale a pena. ❤

Sim! Voltei com os diários de escrita e digamos que este poste foi apenas uma abertura/resumo de tudo que vivi nos últimos meses porque adivinha: terminei de escrever Draps2 e acabei de começar a fase de revisão/reescrita, o que provavelmente vai demorar um bom tempo para acabar porque mês que vem as aulas voltam e com elas o TCC. Mesmo assim, tive muitas experiências com altos e baixos e descobertas ao escrever esse livro, experiências que foram diferentes de Draps e que vou contar para vocês nos próximos diários e claro, que também são conteúdo para dicas de escrita! ❤ Espero que gostem!

Um comentário em “Diário de escrita #6

  1. Meu Deus, q saudade eu tava dos diários de escrita!! Obrigada por compartilhar com a gente toda a sua jornada, não sei quanto aos outros q lêem, mas sempre me incentiva muito a não desistir de um dos meus grandes prazeres quando as coisas ficam difíceis e aquela vozinha irritante fica gritando na minha mente q eu não sou boa e questinando pra que eu continuo fazendo isso.

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