Aleatoriedades

Está tudo bem

Fazia tempo que eu não vinha aqui falar um pouquinhos sobre outras coisas além de leituras e derivados — ou no caso, eu fiquei um longo tempo sem aparecer até pra isso, haha —, mas como sei que não sou a única que sofro com Transtorno de Ansiedade e como escrever me ajuda a liberar um pouquinho de tudo que sinto, de vez em quando tenho vontade de dividir com vocês os altos e baixos… Geralmente eu divido com vocês no meu diário de escrita, mas como não tenho escrito direito, decidi vir me abrir focando apenas nesse monstrinho que me acompanha e que cresceu demais nos últimos anos.
Quando finalmente fui diagnosticada e comecei o tratamento para o Transtorno de Ansiedade há alguns meses, minha primeira reação foi sentir um alívio enorme. Alívio porque finalmente eu tive em mãos o que realmente estava me deixando mal, porque todos os meus ataques e o que eu sentia não era um exagero… eu tenho um problema e agora poderia começar a cuidar dele.
No entanto, esse alívio durou pouco. Porque apesar do tratamento, apesar da terapia, dos 2 antidepressivos e antipsicótico para dormir, ainda tenho crises, ainda sofro. Isso não deveria acontecer, eu deveria estar melhorando cada vez mais e não acabada em vários momentos. Certo?
Óbvio que não.
A ansiedade não é uma gripe que com antibiótico, o que havia de ruim é morto e pronto, “curada”. Aliás, nem a gripe some de maneira mágica, nosso corpo muitas vezes demora alguns dias para voltar ao normal… por que então eu espero e desejo que a ansiedade suma por completo de uma vez? Isso não vai acontecer. É um processo, um processo longo. Ficar desesperada para ser “normal” não vai me ajudar, não vai me deixar bem. Pelo contrário.
Por coincidência, hoje enquanto andava do Beco do Batman até minha terapia, esbarrei com a seguinte arte de rua:

Sem saber que dali a alguns minutos teria uma crise na sala de espera e que seria essa arte que me acalmaria, tirei uma foto. Depois, mais calma ao lê-la e claro, da ajuda da minha terapeuta, eu decidi escrever sobre essa pressa de ficar “boa” logo.
Me curar — se é que posso chamar assim — é um processo. Aceitar os altos e baixos também. E depois de todo esse textão que quero dividir com vocês minha descoberta “impressionante” de hoje: tudo bem a gente transbordar, se sentir mal, sofrer. Faz parte. Negar esses momentos e nos castigar por eles acontecerem só piora tudo.
Essa pressa de todo mundo dizer “fica bem logo” ou querer ver a gente sempre bem — mesmo que não seja por mal ou impaciência para lidar com um transtorno, afinal, por mim, nunca veria as pessoas que amo tristes —, essa exigência que parece pairar calada e intensa de sempre estarmos bem e prontos para tudo na vida… ela só faz o efeito contrário.
Sentimentos ruins, sejam eles quais forem, são tão importantes quanto os bons. Fazem parte da nossa vida. Sentir tristeza, sentir raiva, sentir ciúmes, inveja… tudo faz parte do ser-humano e tentar negá-los não vai ajudar e não vai adiantar, eles ainda estarão ali. Reprimir só faz sofrer.
Então, eu digo isso para mim mesma e para quem precisar ouvir: permita-se sentir as coisas ruins. Você não é uma pessoa ruim por ter inveja ou mágoa de alguém que te machucou; não é um fracasso porque o ataque de ansiedade ainda aparece na sua vida com intensidade, porque não conseguiu levantar da cama e fazer tarefas simples por conta da tristeza. Não, isso faz parte da vida, faz parte de você e acima de tudo, você não está só nessa jornada. Todo ser humano com sentimentos passa pelas mesmas coisas.
Não negue os sentimentos negativos, só assim você vai poder superá-los de uma forma que eles não prejudiquem a a vida. Se permitam sentir, mas não consumir. Porque às vezes parece mais fácil deixar os pensamentos ruins tomarem conta também. Existe uma linha tênue entre aceitar e se entregar e você precisa aprender a traçá-la. Não é fácil, é assustador, mas tenho certeza que assim que isso acontecer, aquele peso que aparece cada vez que um sentimento ruim toma conta da gente vai parecer menor.
Então sim, às vezes a gente transborda e tá tudo bem com isso.

3 comentários em “Está tudo bem

  1. Oi Flávia!
    Obrigada por compartilhar esse texto com a gente ❤ Acho que todos nós sofremos um pouco de ansiedade, em diferentes níveis e diferentes gravidades. No final da faculdade, eu achei que estava ficando com síndrome do pânico, quando um dia tive taquicardia assim que entrei no carro para ir para a aula, na verdade, eu não sabia, mas era uma crise de ansiedade. Muitas vezes, somos tão exigentes conosco que esquecemos que somos apenas humanos. Faço terapia há bastante tempo, acho que o processo de autodescoberta foi o que mais me ajudou a controlar a ansiedade e o meu medo do futuro. Soltar o controle dos nossos sentimentos e nos permitir sentir o que quer venha e acolher os sentimentos com amor e sem julgamento pode ser bem difícil às vezes.

    Muito obrigada pelo texto, beijocas!

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  2. Obrigada por isso! Por compartilhar um pedacinho de vc e por ajudar a pessoas q sofrem com dores parecidas. Acho q um dos grandes problemas das doenças psicologicas é q muitas vezes fazem a gente se sentir sozinho e errado no mundo e é bom ter alguém q compartilhe isso com vc às vezes.
    Boa luta nessa jornada para melhorar Flavia!

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  3. VONTADE DE CHORAR
    MELHOR FRASE: Existe uma linha tênue entre aceitar e se entregar e você precisa aprender a traçá-la.
    Eu fiz exatamente igual disse. Permiti sentir a sensação ruim, sem me culpar ou escondê-la, depois de alguns minutos, sacudi a poeira e recomecei de novo.
    Todo segundo é perfeito pra recomeçar.

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