André Aciman · Resenha

Resenha: Me Chame Pelo Seu Nome, André Aciman

A casa onde Elio passa os verões é um verdadeiro paraíso na costa italiana, parada certa de amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, o jovem está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas na villa da família um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e papeladas. Uma cobiçada residência literária que já atraiu muitos nomes, mas nenhum deles como Oliver.
Elio imediatamente, e sem perceber, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. Da antipatia impaciente que parece atravessar o convívio inicial dos dois surge uma paixão que só aumenta à medida que o instável e desconhecido terreno que os separa vai sendo vencido. Uma experiência inesquecível, que os marcará para o resto da vida.
Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera elegia à paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude. Uma narrativa magnética, inquieta e profundamente tocante.

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Se você me acompanha nas redes sociais, talvez saiba que eu simplesmente viciei em Me Chame Pelo Seu Nome (CMBYN). Assisti ao filme antes de ler o livro e posso dizer que tenho um carinho imenso pelos dois! Por isso, essa resenha (sim, depois de muito tempo, finalmente estou publicando uma resenha nova aqui) será um pouquinho diferente do que eu costumo fazer: vou tentar uni-la ao filme, pois a minha experiência com os dois foi de complemento.

A narrativa do livro ocorre em primeira pessoa, enquanto no filme, apesar de estarmos mais próximos do Elio, ainda assim há um certo distanciamento de suas atitudes e pensamentos. Por este motivo que livro e filme se complementam de forma perfeita: com um, vemos mais de longe ou apenas um lado da história e com os dois juntos, podemos observar detalhes que foram perdidos ou estão escondidos. Não é à toa que o filme ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado, o trabalho foi maravilhoso!

Elio é um narrador extremamente interessante. Inteligente e simpático, atrai o leitor rapidamente para si e passamos a junto dele, viver cada aspecto do romance com Oliver, suas experiências com Marzia, seus pais e todo o verão que ele tinha dezessete anos. Com o livro, passamos a ver Oliver de uma maneira mais unilateral, é a visão de Elio em relação a ele, enquanto no filme, podemos perceber detalhes que o narrador não percebeu durante a leitura — o que eu achei sensacional, haha —, é possível ver uma faceta mais insegura e “menos assustadora” da personagem, ainda que alguns detalhes, apenas captamos com o livro. Por exemplo, passagem de cena na qual mostram-se todos os calções de banho de Oliver pendurados para secar — se você só viu o filme, ela não fará tanto sentido assim, já que é uma forma silenciosa de referência direta ao livro.

No roteiro de CMBYN há diversas falas tiradas diretamente do livro e que foram feitas com maestria. Nem preciso dizer que a principal delas é o monólogo do final do filme que… é uma das falas mais tocantes que já tive contato, tanto na literatura, quanto no cinema. Sério, o filme e o livro valeriam a pena só por causa dela, de tão sensível e verdadeira e maravilhosa, haha. Eu amei o filme/livro como um todo, mas de longe, o monólogo foi minha parte favorita e mais dolorida também: não é sempre que consigo assisti-la e sempre que o faço, pode ter certeza que choro pelo menos um pouquinho, haha.

A maior diferença entre filme e livro talvez seja o tempo do segundo que é muito mais longo. Descobrimos — de maneira que achei um pouco superficial, vou confessar — o que aconteceu com Elio e Oliver depois daquele verão e acompanhamos de relance a vida de ambos anos depois. Mas tudo bem, porque já foi confirmada que haverá continuação de CMBYN e que com certeza vai abordar tudo aquilo que foi tratada de forma superficial no livro. Confesso que tenho um pouco de medo, mas estou bem animada de ver mais de Armie e Thimotée como Oliver e Elio.

Também há uma personagem que foi retirada da versão cinematográfica, mas apesar de ter gostado muito dela no livro, deu para entender a escolha, já que as passagens que ela era mais importante, foram levadas aos pais do Elio, o que trouxe uma importância maior para eles. Não vou entrar em muitos detalhes sobre ela, mas é uma dica para quem viu o filme e não leu o livro, fazê-lo, hehe.

Me Chame Pelo Seu Nome é muito mais do que um livro sobre um relacionamento de verão, é de auto-conhecimento e que vai trazer identificação para quem assiste/lê. O romance, o fato de serem dois jovens do mesmo sexo se envolvendo são apenas detalhes, mas a verdade é que o livro e filme trazem muito mais nas entrelinhas, trazem na realidade, uma maneira de ver a vida e se relacionar com outras pessoas. É uma história sensível e que tenho certeza que vai fazer muita gente se apaixonar.

Meu veredito final de análise como leitora e espectadora foi que ambos se complementam, mas… eu preferi o filme, haha. De vez em quando isso acontece, não é mesmo? Minha experiência com a leitura do livro foi realmente sensacional por conta do filme, mas acho que talvez eu não teria gostado tanto dele se tivesse lido primeiro. Outro detalhe que acho que preciso comentar é que li a tradução da Intrínseca e, depois de algum tempo com experiências negativas com a editora, o trabalho feito no livro foi muito bom!

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