Donnie Eichar · Nível de inglês Básico · Nível de inglês Intermediário · Resenha

Resenha: Dead Mountain: The Untold True Story of the Dyatlov Pass, Donnie Eichar

Em fevereiro de 1959, um grupo de nove montanhistas experientes morrem misteriosamente em uma elevação conhecida como Montanha da Morte na Rússia. Os aspectos sinistros do incidente — como lesões violentas inexplicáveis, sinais de que eles cortaram a barraca onde estavam e fugiram sem usar roupas e sapatos apropriados, uma estranha fotografia tirada por um deles, um nível elevado de radiação em algumas das peças de roupas — resultaram em décadas de especulação do que realmente aconteceu. Esta obra de não ficção analisa cuidadosamente o mistério por meio de acessos inéditos aos diários e fotografias pessoais dos montanhistas, registros governamentais pouco divulgados e o ato do autor de fazer a mesma jornada dos montanhistas durante o inverno russo.

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Se você acompanha o blog e/ou me acompanha nas redes-sociais (aka Instagram e Twitter, haha), sabe que eu sou a louca das teorias da conspiração e dos mistérios sobrenaturais do mundo— sério, se deixar eu passo o dia todo assistindo documentários do tipo por pura diversão — e o incidente de Dyatlov Pass é um dos meus favoritos, porque engloba os dois e depois de tantos anos ninguém nunca soube o que realmente aconteceu na noite que Dyatlov e seus amigos morreram!

Eu não sei porque, mas o mistério todo me deixou muito curiosa, haha. Afinal, as hipóteses do que poderia ter acontecido variam entre aliens, experiências governamentais que deram errado e o governo tentou esconder (o fato de se passar na Rússia nos anos 50 ajudou haha), até o Ieti (ou Abominável Homem das Neves) foi considerado culpado por um tempo e claro, muitas outras hipóteses. Por isso, até ter contato com o livro Dead Mountain: The Untold True Story of the Dyatlov Pass (que vou chamar apenas de Dead Mountain daqui para frente), eu já havia encontrado alguns sites legais sobre o assunto e virava e mexia, relia ou assista aos mesmos documentários (eu falei que sou a louca dos mistérios/conspirações haha), mas por sorte esse livro apareceu na minha vida por indicação e foi uma das leituras mais legais e interessantes sobre algo misterioso que tive a oportunidade de conhecer!

Donnie Eichar fez um excelente trabalho, não só de pesquisa — o cara se propôs a refezer os passos de Dyatlov e os outros durante o inverno russo —, como também tem uma narrativa incrível. Ela prende do começo ao fim e a linha de alternar entre contar a história dos jovens e o presente, onde ele conta como teve acesso aos diários, as entrevistas que fez e todo o processo de escrita do livro foi muito interessante. Ele trouxe o grupo de montanhistas para perto de quem lê e deixa eu falar, quanto mais me aproximada da data de morte deles, mais meu coração apertava, porque mesmo sabendo o que iria acontecer, Eichar conseguiu fazer com que eu me apegasse a todos eles e quisesse realmente que o fim deles fosse diferente.

O fato do livro abrir com a foto dos dez montanhistas que iniciaram a viagem — dez, porque um deles por conta de problemas de saúde foi obrigado a abandonar o grupo e por isso, foi o único sobrevivente —, contar sobre suas vidas e fazer quem lê vê-los como jovens (eles estavam na casa dos 20 anos) com vidas e famílias reais e não apenas um grande mistério, foi realmente sensacional. Eu não estava acostumada a vê-los como pessoas reais, então sempre que lia e pesquisava sobre o assunto, havia um certo distanciamento. Isso não ocorre no livro, pelo contrário. Confesso que quase chorei quando cheguei no momento em que os corpos eram encontrados.

Outro fator interessante em Dead Mountain, é que Eichar mostra sua teoria para o que houve na noite em que eles morreram. Claro, nada ali pode ter 100% de certeza, afinal muito tempo se passou e ninguém conseguiu afirmar o que realmente aconteceu — especialmente porque as próprias investigações são cercadas de mistérios e tudo o mais, afinal, estamos falando da União Soviética, haha — ou vai conseguir fazê-lo. Mas a teoria de Eichar, com base em muita pesquisa, entrevistas e estar em contato com o ambiente real é uma teoria muito válida e a que mais acredito até agora. Ele a descreve de forma detalhada e recria a noite da mesma maneira que escreveu o restante do livro: nos leva para lá, nos faz sentir como os montanhistas teriam sentido e acima de tudo, incomoda de novo ao lembrar que eles morreram, que eram tão jovens.

Não vou entrar em detalhes sobre a teoria para não dar spoiler — afinal, ela é o grande finale do livro, haha — , mas vou adiantar que pode decepcionar quem (assim como eu) gosta de mistério sobrenatural: a explicação de Eichar é bem realista e por isso, é a que pareceu mais verdadeira e a que eu escolhi dizer que é minha favorita, apesar de decepcionada, seria bem legal se os aliens estivessem envolvidos na coisa toda, haha.

Dead Mountain foi escrito com maestria por Donnie Eichar, ele te leva para dentro dos últimos dias de vida de Dyatlov e seus companheiros, ele te faz sentir como se estivesse ali com eles, assim como também os transforma em pessoas, jovens reais a ponto de emocionar o leitor e deixá-lo realmente tocado pela história e não apenas curioso e instigado pelo mistério. A leitura flui de forma que caminha rapidamente, eu esperava demorar dias para terminar, mas a escrita dele é tão simples e envolvente que terminei muito rápido.

Sobre o Incidente de Dyatlov Pass

Não conhecia o incidente de Dyatlov Pass direito e quer saber detalhadamente por que é um grande mistério? Você pode saber mais clicando aqui e lendo a página em português da Wikipedia sobre o acontecimento, ou assistir ao especial do Assombrado sobre o assunto — que está muito bom, diga-se de passagem!

Se você gosta de grandes mistérios do mundo, se você se interessa pela história de Dyatlov Pass, eu super aconselho a leitura de Dead Mountain: The Untold True Story of the Dyatlov Pass. Aliás, mesmo se o assunto não te interesse assim, mas gosta de livros que envolvem pesquisas sobre histórias reais e todo o caminho para conseguir chegar a algum lugar, com certeza é algo super interessante de acompanhar, afinal, Eichar também nos conta como foi o processo de escrita/pesquisa do livro.

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