Aleatoriedades

Um pouco sobre Tradução!

Oi gente bonita! Há alguns dias atrás no meu Instagram, pedi para vocês fazerem perguntas sobre o tradução e/ou a faculdade de tradução (para quem não sabe, é o curso que estou fazendo, hehe) e hoje separei alguma delas para responder! Já aviso que algumas foram editadas para se encaixarem no post direitinho, ok? ❤

Como é a faculdade tradução?

O curso é um bacharelado e faz parte da área de Letras e tem duração de 3 anos e meio na faculdade onde faço (FMU) e ele forma tradutores e intérpretes. Ou seja, quando me formar, serei capacidade para trabalhar tanto na área da escrita quanto na interpretação (naquelas cabines de eventos, sabe?). As matérias são divididas entre teóricas e práticas na área voltada para a tradução em si, assim como também de português e inglês (gramática normativa, produção textual, sintaxe etc.). Além de me formar tradutora, a faculdade também me dá base para trabalhar como revisora de textos nas duas línguas (uma área que estou em contato maior agora com uma monitoria e me apaixonando)!

Lembrando: para fazer a faculdade de tradução, você precisa ter no mínimo um conhecimento de inglês intermediário (e caso seja o seu caso, invista em aulas porque a exigência com a língua só aumenta conforme o curso avança). A faculdade de tradução parte do princípio que o aluno já saiba inglês e só aprimore o conhecimento, não é um curso de inglês que vai te dar um diploma universitário. Por que eu estou falando isso? Porque é muito comum pessoas entrarem na faculdade achando que vão aprender a falar inglês ali quando na realidade o inglês é um pré-requisito.

Se quiser mais sobre como funciona o curso na FMU, é só clicar aqui. 😉

Como funcionam as aulas?

Na grade a qual estou cursando (porque ela mudou, ou seja, quem entrar agora vai encontrar divergências) são 5 semestre com aulas 4 dias por semana (uma matéria por dia com duração de 3h) e uma matéria online, o EAD (que geralmente é sobre assuntos “gerais” que não são apenas do curso de tradução como ABNT, Antropologia etc.) e mais 2  semestres com aulas os 5 dias das semanas. Ou seja, um total de 7 semestres (ou 3 anos e meio).

Nas matérias presenciais, algumas são voltadas para a teoria, como linguística, teoria da tradução, estudos literários (minha matéria favorita no semestre), cultura e civilização anglo saxônica (que basicamente é história dos EUA e Inglaterra e como a cultura de lá funciona). Todas elas voltadas para a temática da tradução, claro. Também tem português e inglês que vai desde gramática normativa, passando por sintaxe até chegar em produção textual e semântica. Ou seja, você aprende muita gramática e muito texto, além das teorias relacionadas à tradução em si.

Também claro, há a matéria prática de tradução, a qual pegamos na massa. Ela é presente em todos os semestres e cada um deles é voltada para um assunto diferente. No primeiro semestre passamos por diferentes tipos de textos (que vai desde literário até uma receita de bolo ou quadrinhos); no segundo semestre tradução midiática, que envolve os meios de comunicação; tradução acadêmica, de textos acadêmicos — o que significa que eu já traduzi textos sobre medicina, física quântica e matemática, assuntos que não entendo nada —; tradução literária (matéria pela qual estou mais animada); textos comerciais e por aí vai. Cada vertente tem uma maneira de traduzir e com as aulas práticas fazemos traduções e discutimos em aula, aprendendo como lidar com os diferentes mercados além de aprender sobre alguns termos técnicos.

À partir do quinto semestre da faculdade (o meu atual), temos o Estágio Obrigatório. Precisamos traduzir 4k de palavras por 2 semestres para um cliente externo, de graça. É basicamente uma matéria da faculdade que é exigida para me formar e um contato com a tradução fora da faculdade.

O TCC, o trabalho final de curso e tão temido consiste em criar um glossário e claro, fazer a dissertação do processo. Parece simples, mas é extremamente trabalhoso, especialmente quando envolve fazer a tradução de termos técnicos e o fato de que muitas vezes (a maioria delas), nós tradutores lidamos com textos de áreas que não temos conhecimento algum e como resultado precisamos fazer algumas pesquisar para poder trabalhar. Louco, né? Haha

O que eu mais gosto e menos gosto no curso?

Eu simplesmente amo aprender sobre a Tradução e como essa área é ampla e importante, especialmente porque ela parece simples num primeiro olhar, mas na verdade não é. Existem tantas coisas que envolvem o processo de tradução, tantas nuances da nossa língua e da própria língua original que é o que mais me encanta descobrir durante as aulas e por mim mesma também. Claro, eu também adoro as aulas práticas porque é nelas que posso finalmente colocar a mão na massa, haha.
O que eu menos gosto definitivamente são as aulas de gramática. Odeio gramática normativa e sintaxe, tanto no inglês quanto no português. Sou aquele tipo de pessoa que sabe aplicar, mas não sabe explicar como ou por que e acima de tudo, sempre que preciso fazer exercícios do tipo, mais erro do que acerto.

Por que eu decidi fazer tradução?

Depois de ficar extremamente frustrada no jornalismo, acabei decidindo ir para a área de Letras. Meus planos era fazer bacharelado na área (porque acho que licenciatura não é algo para mim, haha), mas então pesquisando sobre faculdades e para que caminho ir, acabei me deparando sem querer com o curso de tradução. Minha escolha foi basicamente: eu amo/sou escrever, gosto de inglês e fiz muitos anos de curso, já tinha tido contato de forma bem amadora com traduções para o blog e gostava muito do processo. Uni basicamente um monte de coisas que eu curtia e fiz o vestibular sem saber muito sobre o curso. Acabou que não podia ter feito uma escolha melhor e me pergunto como nunca tinha ouvido falar dele antes? Haha

Qual o mercado de trabalho da tradução?

O mercado na área da tradução é muito amplo. Muito mesmo. É possível trabalhar como freelancer, em empresas de tradução, em agências de publicidade e notícias, no mercado acadêmico, em editoras, em empresas no geral, em cartórios e com advogados como tradutor juramentado…Praticamente em todas as áreas que você pode imaginar, existe o espaço para um tradutor.
O grande problema da tradução é ser uma profissão muito desvalorizada. Não só por quem não conhece sobre o assunto, como dentro da própria tradução. Toda a discussão sobre o valor do original etc. é algo que acompanha desde os primórdios e continua até os dias de hoje nos meios acadêmicos.

Também há a opção para trabalhar com Intérprete em eventos de forma “individualizada” ou então na cabine, que é basicamente tradução simultânea. Eu não posso falar muito sobre o assunto no momento porque vou confessar que é uma área que além de eu imaginar não ser do meu interesse, também não tive matéria sobre o assunto na faculdade, haha.

Além disso, como tradutora eu também sou capacitada para trabalhar com revisão. Ou seja, revisando o texto alheio, haha. Que é algo que estou “trabalhando” no momento (em outras palavras, sou monitora na faculdade e reviso os textos para os colegas do estágio obrigatório, para isto, eu ganho créditos na faculdade, haha) e simplesmente adorando! Então, se alguém quiser uma revisora, me contrata! Hahaha.

Como funciona o processo de tradução?

Uma tradução pode ser feita de maneiras diferentes, desde de “na raça”, apenas com você e com o texto ou com programas de tradução que já têm alguns corpus de palavras que podem te ajudar na hora de alguns termos específicos. Só não vale pensar que os programas substituem a necessidade do tradutor, ok? Porque a realidade (ainda bem!) está bem longe disso. Quem nunca jogou um texto no Google tradutor e ficou bem ruinzinho, apesar de traduzido? Então, ainda precisamos de um ser-humaninho ali para trabalhar melhor, fora que uma máquina ainda não consegue captar certas nuances da língua e por aí vai…ENFIM, focando no que importa, os programas de tradução auxiliam muitas vezes nas buscas por expressões e corpus, que são basicamente escolhas de palavras que auxiliam na área específica que estamos traduzindo (uma explicação bem simples e superficial).

Sem um programa de tradução, minha escolha para traduzir é fazer a leitura do texto original e sublinhar todas as palavras que não conheço (geralmente termos técnicos) ou aquelas que podem precisar de um pensamento maior na hora de passar para o português (por exemplo, às vezes eu sei o significado da palavra, mas no português usamos a equivalente de forma diferente ou não temos uma equivalência exata e aí precisamos adaptar), depois disso, procuro essas palavras no dicionário e aí que vou para a tradução em si. Claro que faço isso quando estou com tempo, na prática, os 3 processos acabam se misturando e seja o que a Deusa quiser, haha.

Além do texto em si, temos que pensar sempre no cliente e nos leitores/públicos da tradução. O cliente tem um manual para fazer as traduções? Então precisamos seguir uma linha na hora do trabalho (o manual nos guia desde a escolha das palavras ou até na forma dos verbos, por exemplo); o cliente quer que adaptemos expressões para o cotidiano brasileiro? É só pensar na tradução de nomes de Harry Potter, aquilo provavelmente foi muito mais uma escolha da Rocco do que Lia Wyler, especialmente por causa da época que a série começou a ser traduzida e do público; Será que vale mais a pena (ou o cliente prefere) deixar um acontecimento da cultura da língua original ou usarmos um exemplo na nossa cultura (por exemplo no Chaves quando mudaram de Acapulco para Guarujá); Será que vale a pena deixar uma explicação para algum aspecto da cultura diferente ou não? Ou seja, há diversos detalhes que precisamos pensar como tradutores, além de saber o que o cliente prefere. Basicamente vai muito mais da vontade do nosso cliente do que o que acharíamos melhor como tradução.

Então, a passagem de uma língua para outra é muito mais complexa do que aparenta. Na teoria, é bem simples, mas na prática, as coisas são bem mais complicadas. Eu não posso negar que sou apaixonada, haha!

Estas foram algumas das perguntas que vocês me fizeram sobre tradução! Espero que tenham gostado e logo eu separo as perguntas restantes e abro para mais perguntar, caso alguém queira saber mais coisa! ❤

2 comentários em “Um pouco sobre Tradução!

    1. Oi Paula! Poxa, eu fico muito feliz em saber que gostou do post! Infelizmente o curso não é muito divulgado e não são muitas as faculdades que oferecem a opção, por conta disto e da minha paixão pela tradução eu sinto uma necessidade enorme de dividir informações sobre o assunto com vocês, então fico muito feliz em saber que gostou!!! ❤
      Beijão

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