Diário de Escrita

Diário de Escrita #3

Estou chocada que já vai fazer um mês que eu não atualizo o Diário de Escrita (dá para ler as partes 1 e 2 clicando aqui ❤ )! Mas se eu for parar para pensar, os próprios motivos para isto ter acontecido têm relação com  a minha própria produção de texto ultimamente…vamos contar por que.

Minha ansiedade tomou proporções que estavam afetando minha vida pessoal, profissional de forma intensa. Consequentemente, também acabou por afetar a minha escrita…e tudo tem a ver com a publicação de Draps. Não me levem a mal, eu estou super feliz e orgulhosa, mas para uma mente perfeccionista e ansiosa, isto acabou virando uma faca de dois gumes. Porque a pressão que eu mesma, que meu cérebro, colocou em cima dos meus ombros foi absurda.Primeiro, tenho que lidar com o eterno pensamento (que já comentei nas entradas anteriores, hehe) de: estou realizando meu maior sonho, se eu não for boa o suficiente, o que vai acontecer comigo? Eu ainda não tenho respostas para a pergunta e ainda morro de medo de encará-la de frente (por isso, acho que vão ler bastante o questionamento nestes diários, haha). Segundo, o próprio lançamento do livro tem me deixado tão tensa que eu mal aproveitei. Sempre que alguém pergunta sobre noite de autógrafos, eu praticamente entro em pânico porque ao mesmo tempo que eu quero fazê-la, eu também não quero. Aliás, não queria convidar nenhum conhecido meu para ela, ou pessoas que não teriam interesse no livro porque eu quero que as pessoas vão por Draps, não pela Flavia. Isso faz algum sentido? É, nem eu entendo como minha mente funciona às vezes, haha.

Por que estou falando tanto sobre o lançamento, sobre a publicação de Draps em um diário de escrita? Porque todos os meus medos estão relacionados diretamente com a minha produção. Eu simplesmente quase não tenho coragem de sentar para escrever porque os meus medos ficam martelando constantemente na cabeça e rola um pensamento de “por que vou escrever Draps2 se eu nem sei se o primeiro vai dar certo?”. Como consequência, fico morrendo de raiva de mim, porque no último diário eu já falei que estava escrevendo por mim e apesar disto acontecer, ainda tem aquele monstrinho da dúvida, o mesmo que faz com que eu me auto-sabote, constantemente sussurrando no meu ouvido. Eu tento não ouvi-lo e ignorá-lo, mas não é sempre que consigo e por isso, algumas semanas são piores do que outras em relação a muitos aspectos, entre eles, o meu rendimento em relação a escrita.

Mas, por outro lado, algumas coisinhas na minha vida pessoal começaram a acontecer para que eu consiga lidar melhor com minha ansiedade. A primeira delas foi ter o diagnóstico de transtorno de ansiedade feito por um psiquiatra e começar um tratamento focando nele. Em outras palavras, aceitar que a terapia não é a única ajuda que preciso e sim de remédio. Um passo foi dado e eu pretendo trabalhar em conjunto com a medicação, que já comecei a tomar, para poder conseguir conviver com esse transtorno da melhor maneira possível, sem tanto sofrimento.

Desde então tenho sido um pouco mais gentil comigo mesma (ou pelo menos tentado). Porque vivo em um ciclo de não ter forças para escrever por causa da ansiedade e de me sentir culpada por não fazê-lo até deixar tudo de lado de vez por não saber lidar com meus pensamentos. Agora, cada dia que escrevo é uma vitória e tento não me castigar tanto caso não tenha conseguido fazê-lo. Apenas preciso criar uma rotina de escrita real, afinal, existe uma linha tênue entre lidar com um transtorno e a procrastinação e é o que estou fazendo agora, me conhecendo melhor e descobrindo o meu terreno. Sei que foi mais ou menos isto que falei na primeira entrada do diário, mas antes foi aprender como criar e manter uma rotina, agora é equilibrá-la com um transtorno. 

Nestas últimas duas semanas eu cheguei em alguns pontos novos de Draps2: minha ficha caiu que escrever deixou de ser apenas uma diversão ou o que eu faço para escapar da minha mente, que eu dei um passo para o que espero ser o meu futuro como escritora e o melhor de tudo? Eu não entrei em desespero! Não! Eu fiquei feliz! Foi a primeira vez desde a notícia da publicação de Draps que eu senti felicidade pura ao invés de pressão ao pensar nisto. E o resultado foi incrível porque foi a partir desta realização que eu consegui produzir bastante.

Também finalmente terminei de revisar/reescrever o que já tinha criado há anos atrás e estou em um terreno novo na história, o da criação pura ao invés de trabalhar em cima de algo que eu já havia feito antes. Fazia anos que eu não trabalhava em uma ideia nova assim e esta é a primeira vez que tenho toda uma base de uma história criada e trabalhada. A sensação é diferente e gostosa, apesar de às vezes bater aquele medinho — o que infelizmente aconteceu nos últimos dias porque não tenho conseguido encarar o arquivo de escrita de frente, mas tudo bem, é apenas minha ansiedade gritando e logo eu vou conseguir fazê-lo!

Com isso, preciso lembrar o tempo todo que a minha história está apenas tomando forma, que primeiro eu preciso “jogar” a ideia no papel e que depois terei tempo de trabalhar em cima dela. E depois de tanto enrolar, vou falar (finalmente) sobre a escrita e criação de um livro, que é o que imagino que você (guerreirx que leu até agora) está fazendo aqui.

Escrever um livro é um processo. Pode ser demorado ou rápido, tudo depende de cada um e do momento em que estamos vivendo. Organizar as ideias, trabalhar arcos de personagens e plot é o primeiro passo; escrever o enredo e o “livro em si” é o segundo e ele não será perfeito, na realidade as chances de você ficar satisfeito com a forma que está trabalhando são bem pequenas; o que me leva para o próximo passo que é a revisão do livro. Não a revisão ortográfica e sim uma revisão da história como um todo, a revisão na qual a gente trabalha todas as ideias que foram “jogadas” anteriormente no papel, aprofunda cenas, retira outras e por aí vai.

Eu tinha esquecido que reescrevi Draps inteiro antes de sequer pensar em publicá-lo. Reescrevi 2 vezes para ser mais exata. A primeira logo que terminei, a segunda um pouco antes de tentar publicar e infelizmente eu estava exigindo demais de mim, esperando que eu acertasse o meu caminho logo na primeira vez, mesmo não tendo feito isto nem com Draps, que foi escrito muito rápido.

Por isso, não espere perfeição logo de cara. Isto não vai acontecer. Apenas escreva e deixe suas ideias fluirem, deixe para trabalhar nelas e aprofundá-las em um outro momento. Não exija demais de si mesmx. Você tem tempo e poderá melhorar o seu texto, o seu plot, o que você quiser depois. Este é meu conselho para mim mesma e para você, se quiser: apenas escreva.

2 comentários em “Diário de Escrita #3

  1. “estou realizando meu maior sonho, se eu não for boa o suficiente, o que vai acontecer comigo?” ain, flaavs, sei muito como é isso e não desejo esse pensamento pra ninguém. Me senti assim quando entrei na faculdade e ainda me sinto as vezes, mas, como você, tô na luta para melhorar.
    Fico muito, muito feliz que você esteja fazendo o acompanhamento necessário para a ansiedade. Vai dar tudo certo e logo, logo, você vai estar pleníssima e pronta para aproveitar sua escrita e publicações de um jeito mais tranquilo e sem ansiedades.
    Torcendo muito por ti sempre ❤
    Beijinhos,
    isa.

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    1. Isa! ❤ Poxa, eu fiquei bem chateada em saber que você sentiu e sente do mesmo jeito ainda. Mas sabe, se isso serve de algum consolo, acho que você é incrível e tem potencial para chegar aonde quiser! Sei que às vezes as palavras não significam muito, mas é verdade. Você é incrível! Muito obrigada pelo carinho sempre e saiba que também estarei aqui sempre torcendo e te apoiando como precisar e quiser!
      Beijão! ❤

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