Aleatoriedades · Textos pessoais

I’m gonna touch the pain away

Quando a gente não está bem, a tendência é que uma parcela (grande ou pequena) de pessoas da nossa vida se afastem e como resultado, nesses períodos nos quais tudo parece nublado, a gente acaba percebendo durante muitas vezes, que está sozinho.

Na minha adolescência, tive a primeira experiência do tipo. Ouvi que não me queriam, por perto por não estar animada o suficiente, que deixavam de me chamar para fazer as coisas simplesmente porque sabiam que eu não iria. Aquilo doeu, especialmente porque durante essa fase da vida, a necessidade de ter pessoas por perto, de ser aceito é muito grande. Mas eu superei, melhorei e segui em frente.

Há pouco tempo atrás, por conta dos mais variados motivos, mais uma vez entrei naquilo que chamo de “fase ruim”. Ela começa devagar, a vontade de sair de casa diminui, estar com pessoas passa a ser um pouco sufocante e simplesmente não dá para ser uma companhia agradável. As inseguranças começam a consumir, assim como também, se estamos em um relacionamento tóxico, aquilo passa a sugar cada vez mais nossa energia a ponto que é difícil de reconhecer quem somos.

Foi assim, com essa exaustão mental, física e emocional, me vi sozinha novamente.

Eu não vou negar que isso me magoou, me doeu (até porque muitas coisas foram envolvidas, muitas mentiras foram contadas), me deixou insegura e acabou me fazendo questionar muita coisa sobre mim mesma. Mas ao mesmo tempo, eu cresci demais nesse período, aprendi que às vezes ser um pouco “egoísta” e cuidar de si mesma não é ruim (especialmente quando se tem alguém tão tóxico tão perto) e acima de tudo, aprendi a conviver com a pessoa mais importante: comigo mesma. Aprendi a gostar da minha própria companhia.

Tudo isso, me fez perceber como nós temos medo de ficar sozinhos. Como nós nos submetemos a diversas situações que não queremos, que não nos sentimos à vontade apenas para não ficarmos sozinhos. Mas será que isto é tão ruim assim?

Lembro  quando ir ao cinema sozinha, de comer em um restaurante sozinha ou de fazer qualquer outra coisa sozinha era algo impensável e até um pouco assustador (por ser introvertida também, muitas vezes ter que eu mesma lidar com pessoas era — e ainda é — algo incômodo). Eu tinha vergonha de pedir entrada para um filme e entrar na sala, de pedir um prato sem ninguém para me fazer companhia. A sensação é como se estivessem me julgando, como se não fosse permitido fazer certas coisas que são pensadas para quando se tem companhia e percebo que pessoas próximas a mim parecem ter a exata mesma reação.

Mas então, um dia eu fui.

Eu fui sozinha a um restaurante, eu fui sozinha ao cinema e não doeu, não foi ruim. Eu fiquei um pouco incomodada no começo? Fiquei, mas logo o filme me prendeu, comecei a ler o livro que havia trazido comigo e então tudo mudou.

Eu estava sozinha e não doeu, eu estava sozinha e não estava incomodada, pelo contrário. Essas duas primeiras atitudes foram na verdade libertadoras.

Passei um período sozinha precisando lidar comigo mesma, aprendendo a gostar da minha própria companhia. Eu pensei muito durante esse tempo, me conheci, descobri que estava feliz assim e descobri também que não estava 100% sozinha. Que estar com pessoas o tempo todo não significa que a gente não sinta uma solidão enorme, que se você tiver, pelo menos alguém que te acompanhe mesmo nos seus piores períodos, você não precisa ter um “amigo” toda vez que pensa em pisar os pés fora de casa e me lembrou que a distância física é ruim, você quer ter seus amigos por perto sempre, mas nem sempre eles poderão estar e isso não significa que você não tem ninguém.

Às vezes eu percebo que tenho necessidade de ficar um pouco sozinha e aproveitar alguns momentos para levar a mim mesma para sair. Para poder aproveitar aquele dia que quero estar fora de casa, mas não necessariamente com outras pessoas, para ler um livro em algum outro lugar ou até mesmo para assistir a um filme. Às vezes ainda fico um pouco acanhada por estar sozinha em um restaurante e nunca tive coragem de ir ao cinema sozinha durante o fim-de-semana. Mas ainda assim, descobri o quanto eu verdade eu gosto da minha própria companhia.

Por conta desse período sem ter muitas pessoas fisicamente por perto, eu aprendi a ver que relacionamentos tóxicos exigem demais de nós mesmos e hoje sei dizer não quando não quero fazer alguma coisa, sei que preciso desesperadamente momentos na minha própria companhia e que eu gosto de estar comigo. Gosto de poder pegar um livro a hora que eu quiser, de observar as pessoas ao meu redor, de escrever e ficar em silêncio.

Eu não tenho mais a necessidade de ter alguém do meu lado sempre que pisar o pé para fora de casa para me sentir completa e feliz. Eu aprendi a gostar da pessoa que eu nunca vou poder me afastar, nunca vou poder virar as costas e terei que aguentar mesmo nos piores e mais feios momentos: eu mesma.

Esse post gigante foi escrito apenas para dizer: não sintam medo de estarem sozinhos.

Estar com outras pessoas é maravilhoso, estar com outras pessoas é uma necessidade humana, afinal, somos seres sociais. Mas também não sejam dependentes dos outros para nada. Seja para ir ao cinema, seja para segurar a chave da sua felicidade. Porque as pessoas vêm e vão e que infelizmente, elas não são eternas, se não por motivos físicos, por motivos ainda maiores e que não podemos controlar e no final, a única pessoa que teremos conosco para sempre somos nós mesmos. Aprender a nos conhecermos e a gostarmos da nossa própria companhia é inspirador, libertador demais.

Não tenha medo de si, não tenha medo de tirar um momento para sozinho longe de casa. Não tenha medo de ficar sozinho, mas isso não significa que vai virar as costas para todo mundo ao seu redor, ou que deva ter medo de deixá-las se aproximarem. Algumas pessoas vão sim te machucar, mas vai valer a pena. Só não dependa delas para ser feliz. Você é incrível e está na hora da pessoa mais importante ver isso: você. 

Fonte da imagem destacada: Keith Larson

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