Cinema e TV · Livro x Filme

Os 13 Porquês vale a pena?

Vou confessar, eu li Os 13 Porquês lá em 2013 e se você é uma pessoa que lê muito, assim como eu, sabe que a tendência de deixar os detalhes de livros escaparem depois de tanto tempo é grande. Ou seja, eu comecei a assistir a série com poucas lembranças do livro e já estava quase planejando reler quando encontrei esse post no Bustle comparando as maiores diferenças entre os dois que me foi muito útil (alerta: spoilers do livro/série).

Mas afinal, eu gostei da série ou não? Afinal, se você me segue no Twitter ou no Instagram talvez tenha visto as minhas opiniões mudarem algumas vezes enquanto eu assistia.

Acontece que para mim, a série teve bastante defeitos, me deixou bem entediada em alguns momentos, mas eu terminei torcendo para que tenha a segunda temporada (se você não assistiu ainda e ficou confusx porque o livro não tem continuação, continua lendo que vou explicar, hehe).

Para começar, eu gostei da adaptação e das mudanças do livro pra série? SIM. Algumas coisas foram alteradas, mas todas que me lembro foram pra aprofundar mais quem assistia ou no caso, para encaixar melhor em um roteiro. O que eu mais gostei dessas mudanças foi ampliar o POV dos personagens citados nas fitas da Hannah no livro, dando um BG muito bom pra cada um deles, afinal, é um livro tão pequeno que não teria lá muito conteúdo para explorar em 13 episódios.

Aliás, aí está um dos lados negativos. Mesmo com a exploração de acontecimentos e personagens, ainda achei que foram episódios demais (ou tempo demais em cada episódio) e algumas coisinhas acabaram tornando a coisa toda cansativa para mim. Isso e o fato de quase não ter um alívio em todo drama e mistério, acabaram deixando algumas cenas maçantes e até desnecessárias.

Outro ponto negativo foi o que pareceu uma indecisão sobre como retratar os personagens citados nas fitas. Por boa parte da série, eles foram relatados quase como vilões, com direito a reuniões para tentar impedir do Clay de continuar com a história da fita e com diálogos que incluíam coisas como: “vamos matá-lo e fazer parecer um suicídio”. Eu sinceramente revirei os olhos para cada um desses momentos.

O problema todo é que eles não são vilões. Porque não existem vilões nessa história (ou talvez exista um, mas que não vou falar sobre para evitar spoilers, haha), mas sim adolescentes que fizeram escolhas erradas para si mesmos e em relação à Hannah. Quando os personagens/porquês começam a parar de ser retratados como “vilões” e passamos a conhecer o desespero e tudo que passaram de forma mais aprofundada (alguns são realmente idiotas e egoístas, não vou negar) e “uma reviravolta” acontece: apesar da raiva do que alguns deles fizeram com a Hannah e com outros, eu passei a torcer por eles. Até mesmo o mais babaca de todos. Por isso, digo que não havia necessidade deles serem retratados como vilões, as atitudes de muitos, não só em relação a Hannah eram babacas por si só.

A mesma coisa acontece com o suspense, em dado momento, o roteiro parece desesperado para manter o tom de suspense em relação a tudo que parece acusar todos os personagens de terem feito coisas terríveis e até um, que nada tinha a ver com a história, acabou tendo seu momento: “meu Deus, será que ele está contra o Clay também?”. Isso fora a constante lembrança do Clay sobre sua fita…ela pode desapontar quem não leu o livro.

Vamos para as atuações: os atores foram excelentes em seus papéis, em especial o menino Dylan Minnette (que por sinal, achei ele muito parecido com o Logan Lerman em termos de atuação), que dá um show. No entanto, por culpa do roteiro, acredito que quase todas as melhores cenas dele, foram um tanto…exageradas, eu realmente achei um pouco too much os surtos dele — com excessão a partir do momento de quando ele ouve a própria fita —, mas mais uma vez, para mim foi uma questão de roteiro, porque ele entregou as cenas com maestria.

 Mas com tanta coisa negativa pra falar, como eu posso dizer que gostei e quero mais? Simples, o roteiro teve alguns deslizes que deixaram a coisa um pouco “exagerada” em alguns sentidos, mas por outro lado, a discussão aberta que a série traz em temas como bullying, estupro, sexualidade, abandono ao menor etc é maravilhoso. A abordagem de cada um desses temas é sensacional — coisa que no livro, algumas não são abordadas de forma profunda, então, ponto pra série!

E claro, a discussão central sobre suicídio e depressão foram maravilhosos. Simplesmente porque a Hannah não é retratada de forma estereotipada da depressão. Muitas vezes, a gente sequer percebe que estamos convivendo com uma pessoa que está tão mal. Se analisarmos a evolução da Hannah até o momento que ela se mata, é possível ver os pequenos detalhes ali, assim como também de fora, que ninguém conseguia enxergar. E claro, mostra como pequena (ou grandes) coisas podem acabar se tornando um motivo para um suicídio.

A Hannah passou sim por várias coisas pesadas, mas que nos fazem pensar também que algumas que ela viveu seriam fase de adolescência e que iria passar logo, mas essa é a questão toda: quando estamos nessa fase infernal da adolescência, tudo parece o fim do mundo e vivemos tudo tão intensamente que às vezes é simplesmente impossível pensar que poderia haver um futuro.

Um dos meus momentos favoritos é quando ela e a mãe estão falando sobre faculdade e é o momento que a personagem deixa claro não consegue mais pensar em um futuro, que não consegue fazê-lo. Para mim, essa cena tão sutil foi um momento tão crucial para falar da depressão/suicídio que, tudo que achei exagerado e desnecessário no roteiro, valeram por esse momento.

Em relação ao gancho para uma segunda temporada: ele existe e vai se desprender totalmente da Hannah e sim focará em um outro possível acontecimento que será desencadeado pelas fitas e as atitudes de todos os personagens em relação a elas. É preciso prestar atenção para reparar essa construção — outro ponto alto do roteiro —, mas uma cena no final vai encaixar as peças e eu só posso dizer que mal posso esperar.

Para finalizar, eu preciso comentar: queria que o roteiro tivesse escolhido outra maneira de lidar com a Hannah em relação aos pais dela. Além de tê-la perdido, ela os faz sofrer durante toda a série sem entender os motivos disso enquanto falava com todos os colegas/porquês. Seria realmente interessante e para mim, melhor, mostrar uma preocupação maior com os pais por parte da Hannah.

E vocês, já assistiram ou querem assistir Os 13 Porquês? Conta pra mim nos comentários se concordam ou discordam com a minha crítica! ❤

Um comentário em “Os 13 Porquês vale a pena?

  1. Oi Flávia!
    Eu preferi a série ao livro, também achei que a série se alongou muito, que talvez se os episódios fosse de 30 min fosse melhor. Mas fiquei me perguntando se não foi proposital, para a gente sentir um pouco da agonia que a Hannah sentiu vivendo e remoendo todos esses porquês dia após dia… Gostei muito da resenha, me identifiquei com tudo o que você falou!

    Beijocas!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s