Nível de inglês Básico · Resenha

Resenha: Dear Charlie, N.D Gomes

Pessoas jovens não deveriam morrer. Mas elas morrem. E graças ao meu irmão, a morte fez catorze novos amigos aquele dia. Quinze, contar o Charlie.
Com dezesseis anos, Sam Macmillan deveria estar pensando em meninas, lição de casa e a inscrição para a faculdade de música; e não recolhendo os cacos depois do tiroteio na escola causado pelo seu irmão, Charlie.
Enquanto Sam tenta desesperadamente agarrar-se às memórias que tem do irmão, a tempestade da mídia cercando a família ameaça destruir tudo. Isso leva Sam a questionar tudo que pensava saber sobre a vida, morte e o certo e errado.

Skoob | Goodreads

Por algum motivo, fazia muito tempo que eu não escrevia uma resenha realmente negativa aqui no blog. Livros com ponto negativos grande, sim, mas negativa…fazia muito tempo que não sentava para algo do tipo, haha. E para ser bem honesta, mesmo os livros que eu não gosto, eu tento fazer uma resenha mais positiva e trazer o lado bom da leitura, afinal às vezes a gente não gosta de algo, mas ele tem seus lados positivos. Não é o caso de Dear Charlie, no entanto.

Mas, chega de enrolação e vamos dar spoilers dessa resenha: sim, ela vai ser uma bem negativa porque esse livro me decepcionou e não foi pouco.

Por que eu não gostei de Dear Charlie?

Em primeiro lugar, porque ele me lembrou muito o Go Ask Alice, que nada mais é do que um panfleto extremamente exagerado de “não use drogas”. No caso de Dear Charlie, a insistência em tentar fazer o leitor ter empatia com os outros — mesmo que estejam relacionados a alguém que cometeu um ato terrível — é muito exagerada e acaba fazendo com que a leitura se torne maçante e um tanto irritante de tanto beirar a lição de moral.

Essa coisa de tentar empurrar o sentimento de empatia goela abaixo do leitor e todo o foco em relação ao luto, acabou deixando escapar algo essencial para um bom livro: o plot, que parece ter sido escrito direto de uma fórmula. Nada é aprofundado em Dear Charlie, tudo é visto de forma tão rasa que acabou por me distanciar demais da história em minhas mãos. Os relacionamentos são fracos, começam e terminam de forma brusca e sem nem um pouco de sentimento.

Assim como o plot, o próprio Sam — personagem principal e narrador da história — é raso demais. Claro, é impossível não sentir mal por ele, que perdeu o irmão e ainda tem que ser julgado por atos que não cometeu e com isso, também sentir a culpa por amar uma pessoa capaz de um ato terrível…o problema foi a construção do personagem, quanto mais avançava na leitura, mais ele parecia entregar o que a gente imagina que uma pessoa no lugar dele deveria sentir e passar. Isso o tornou extremamente robótico e quase sem personalidade própria.

Fora que ele se distancia tanto do sofrimento dele para analisar o que está sentido, que mais uma vez passa a sensação de ser algo no livro escrito com uma fórmula. Chega num ponto que tudo que sentimos por ele no começo da história, passe a ficar muito enfraquecido porque, mais uma vez, ele é um personagem quase robótico, parecia que estava lendo um artigo sobre a vida do Sam do que a história narrada por ele mesmo, tamanho distanciamento dele em relação a tudo.

Também não dá para esperar entender um pouco do que aconteceu com o Charlie. Ou quem o personagem era. Mesmo a construção do personagem na cabeça do Sam era fraco. Faltaram flashbacks para nos trazer mais perto dos irmãos e seu relacionamento. A todo o momento o Sam afirma que o Charlie era um bom irmão e que ele o amava e que não conseguia entender ou ver os sinais para fazer o que fez.

Realmente, na mente do Sam, nada faz sentido e tudo se torna ainda mais raso porque não há flashbacks o suficiente mostrando quem o Charlie era, pelo menos na visão do Sam. O que é bem complicado, já que o livro é para mostrar que não só muitas vezes culpamos familiares ou pessoas próximas de alguém que cometeu algo horrível, como também que a própria pessoa tinha uma vida e personalidade que vão além do “assassino em massa”.

O foco do livro, claro, não é o Charlie e o que ele fez. Mas ele é uma peça central para a história e pouco entregou sobre ele, nós leitores sabemos menos sobre o personagem que todos odeiam e que faz o Sam sofrer tanto do que os personagens do livro. O que mais uma vez, causa um distanciamento terrível da história como um todo.

O maior pecado de Dear Charlie é a falta de sentimento. Ele simplesmente para de fazer o leitor sentir algo pela história e pelos personagens conforme vamos aprofundando a leitura quando deveria fazer justamente o oposto. A narrativa também é confusa em alguns momentos, pois a pessoa que escreveu não soube conduzir mudança de tempo e acontecimentos de forma agradável para o leitor.

Sinceramente? Eu infelizmente não recomendo a leitura de Dear Charlie. Se você quiser um livro com o mesmo propósito, leia o A Lista Negra (Black List). Caso já tenha lido e se interessou pelo Dear Charlie porque ele tem uma pegada bem parecida, não perca seu tempo lendo, sério.

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