Aleatoriedades

Drowned in moonlight, strangled by her own bra

I liked being Princess Leia. Or Princess Leia’s being me. Over time I thought that we’d melted into one. I don’t think you could think of Leia without my lurking in that thought somewhere. And I’m not talking about masturbation. So Princess Leia are us.” (The Princess Diarist, Carrie Fisher)

A morte da Carrie Fisher foi um baque para os amantes da cultura pop e Star Wars. Esse ano de 2016 foi cruel e levou muitas pessoas com ele, mas uma das famosas mais sentidas foi a nossa eterna Princesa Leia. O luto de uma leva de fãs pelo mundo inteiro foi real e eu fui uma dessas pessoas.

Até hoje lembro do dia que assisti meu primeiro filme de Star Wars — e não, eu não comecei pela trilogia original, infelizmente —, foi uma coisa quase sem querer porque estava na praia de férias com meu pai e era um dia extremamente chuvoso, então não tinha nada para fazer. No pequeno cinema do Guarujá, um dos filmes que passavam era a Ameaça Fantasma, então, meu pai falou um pouco sobre a Saga e me levou para assistir. Mas ele nunca foi fã, assim como meu irmão mais velho e minha mãe. Ninguém da minha família gostava de Star Wars para me incentivar a assistir, mas foi ali, naquele cinema que eu me vi apaixonada por aquele universo.Como consequência, acabei sozinha indo procurar os filmes originais e foi aí que conheci o Han Solo, o Luke e claro, a Princesa Leia. Eu não sei o que me encantou mais nesses filmes, se foi a história, os heróis ou o fato de que foi a primeira vez em que tive contato com uma personagem feminina tão forte assim. Meu eu de 9/10 anos estava acostumada com princesas da Disney e coisas do tipo. A Leia foi a primeira princesa que fazia tudo: ela era uma princesa e também extremamente badass e muitas vezes foi ela mesma quem salvou a vida dos mocinhos porque não era uma simples donzela em perigo.

Hoje eu olho para trás e vejo como a Princesa Leia foi importante para mim. Foi ela quem me tornou feminista quando eu sequer sabia o que era isso.

Ela quem me mostrou que as meninas podem ser o que quiserem: elas podem ser princesas e elas podem elas mesmas salvar o dia. Que eu podia jogar o mesmo jogo que os meninos e que na realidade, essa ideia de menina não podia arregaçar as mangas e lutar por si mesma era completamente errada, que o fato de ser mulher jamais me impediria disso e acima de tudo…que eu não precisava virar as costas para algumas coisas. Eu podia/posso ser menina “menininha” que isso não me faz menos mulher. Eu posso ser quem eu quiser e o fato de eu ser mulher não vai impedir isso. Ela moldou o meu feminismo de forma natural e me fez ver o assunto com olhos um pouco diferentes e acima de tudo: que não há regras para isso.

A Carrie como Leia me ensinou muito, mesmo sem eu perceber. A Carrie como pessoa também fez a mesma coisa.

Ela mostrou para mim e para o mundo (ou pelo menos quem acompanhava um pouco a vida/carreira dela) que não era perfeita, apesar de ter uma carreira que a obrigava passar essa imagem. Ela nunca vendeu a ilusão de Hollywood, ela enfrentou seus próprios demônios e falou abertamente deles, de seus vícios e o fato de ser bipolar e abriu os olhos do mundo para esses fatos. Colocou os assuntos em pauta, nos fez discuti-los. Quebrou tabus.

Carrie Fisher envelheceu nos olhos da mídia e teve que ler e ouvir os mais variados comentários sobre o assunto na mídia. Mais uma vez, ela não se calou. Mais uma vez ela não deixou de criticar a indústria de Hollywood e seus padrões onde uma mulher, ao envelhecer, torna-se descartável. Ela abraçou sua velhice e mostrou para todo mundo o quão natural é isso e que ela não deixou de ser incrível por causa disso.

Por isso, quando soube de sua morte, meu mundo perdeu um pouco de luz e eu precisei falar um pouco da importância dessa mulher na minha vida. Que com uma personagem, me ensinou e mostrou tantas coisas, que como pessoa pública também agiu sempre como ela mesma. Carrie Fisher mostrou ao mundo a melhor coisa do mundo: que ela é humana. Ela lutou contra seus demônios e dividiu-os com o mundo e não se envergonha deles e que a vida de todos nós têm seus altos e baixos, que nem sempre é bonita e que não é porque temos esse lado feio que isso nos diminui, eles nos formam tanto quanto as coisas belas e boas.

O mundo ficou muito mais triste e mais escuro em 2016 porque perdeu pessoas que eram uma luz para nós. Mas eu sou grata. Sou grata por ter sido tocada por essa mulher, que mesmo sem ter a menor ideia, sem saber que eu existo, me ensinou muitas coisas. Obrigada, Carrie Fisher.

ASSINATURAFLAVIA

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