Aleatoriedades

O mercado editorial brasileiro: minha opinião

Recentemente vi a notícia de mais um blogueiro/youtuber publicando livro e isso me fez pensar um pouco no nosso mercado literário, literatura nacional etc. Na quinta-feira, se alguém me segue no Twitter, talvez tenha reparado que fiz um longo desabafo por lá…que se estendeu, porque continuei a pensar sobre o assunto até que decidi colocar tudo pra fora por aqui, haha.

Então prepara que lá vem textão/desabafo…

Primeiro de tudo, queria deixar bem claro que eu não tenho nenhum problema com youtubers e blogueiros publicando livros (mas que não envolva alguém que escreva tudo por eles a ponto de nem sequer lerem o que está sendo falado ali — a polêmica de ghost-writer que já desabafei aqui no blog, se quiser ler o post, é só clicar aqui hehe). Afinal, esse pode ser o sonho de muita gente, independente do que fazem da vida.

O que me incomoda, na verdade, é o fato de grande parte do mercado parecer querer apenas o caminho “mais fácil” (leia-se que dá mais $$), quando na realidade tem sim espaço para toda e qualquer tipo de publicação, sejam biografias e auto-ajuda, listas ou até mesmo literatura. Mas esse espaço seria verdadeiro em uma realidade utópica, porque na realidade, o que muitas das editoras têm se fechado cada vez mais em dar chances a novas faces publicarem seus livros porque simplesmente encontraram uma forma de vender mais livros, em especial quando, no ano passado, o mercado editorial fechou em queda.

Grande parte do nosso mercado editorial foca nas traduções de livros gringos (muitas vezes best-sellers ou que fizeram algum sucesso). Mas, em relação aos nossos autores, a gente sempre vê as mesmas pessoas, se não ganhando destaque das editoras, nas livrarias. Para achar o livro de um autor que não seja famoso (tanto escrevendo ou por outro motivo) é mais difícil…o destaque está sempre naqueles que são certos que vão trazer lucro.

Por experiência pessoal, muitas vezes eu deixo de consumir literatura nacional porque são sempre as mesmas pessoas ali. Já peguei algumas coisas para ler que simplesmente não consegui sair do lugar com a leitura e por isso, deixei de comprar porque não gostei, meu gosto não bate com aquilo que a pessoa escreve. E isso não tem problema nenhum, ninguém é obrigado a gostar de fulano ou ciclano. Existem autores que eu adoro e outros que passo longe, a vida é assim em relação a tudo.

Meu problema é com o leque de opções cada vez menor porque ali estão sempre as mesmas pessoas (algumas delas consideradas reis e rainhas de um gênero literário que sequer é o seu) — e até elas estão perdendo um pouco o espaço, seja por causa da crise, seja porque existem pessoas que estão dando mais dinheiro para as editoras. Nunca se viu tanta publicidade em cima de um livro como acontece com youtubers e blogueiros.

Na realidade, a sensação é de que não há um espaço para pessoas novas — em especial falando nas grandes editoras, já que as pequenas, diferente delas, são as que apostam naqueles “desconhecidos” e ainda assim, muitas vezes elas são massacradas porque o foco, sempre estará nos best-sellers e nas grandes editoras. O espacinho reservado para as editoras pequenas e os autores desconhecidos é muito pequeno. Não acredita? Vá em qualquer livraria e procure livros nacionais em destaques. Desses, observe quantos deles são autores desconhecidos ou então de editoras pequenas.

Publicar um livro geralmente não é de graça. O autor com certeza vai precisar gastar com revisão e ainda muitas vezes, se quiser ter um evento de lançamento, precisa adquirir um número x de exemplares (em especial com editoras menores). Mais uma vez, isso não é algo negativo, a editora também precisa sobreviver, seja ela grande ou pequena, é um negócio ela não pode sair perdendo senão simplesmente não vai para frente, afinal, o Brasil ainda é um país capitalista. Ou seja, normalmente quando uma editora aceita publicar um livro, ela fará todo o processo editorial, mas vão existir alguns aspectos que algo será cobrado, como por exemplo, um revisor. E mais: o valor recebido por um autor geralmente é de 10% do valor da capa, que são os direitos autorais — por isso, as editoras fazem boa parte do serviço “de graça”.

Ninguém publica um livro pensando que vai viver dele. As chances de uma pessoa fazer sucesso e conseguir pagar as contas apenas como autor são muitos pequenas. Muita gente escreve e publica por amor à literatura. Mas ganhar reconhecimento pelo seu trabalho e pelo que ama fazer é algo extremamente importante, que nem sempre acontece porque a pessoa é massacrada por uma quantidade enorme de traduções de best-sellers internacionais que chegam por aí e pouca valorização das editoras, aquelas que deveriam fazer o oposto, já que o autor também faz parte dela.

Por isso que com o passar do tempo, como alguém que escreve e como blogueira, aprendi a valorizar de forma mais profunda as editoras pequenas, aquelas que estão começando ou quase ninguém conhece. Porque são elas que vão acreditar em alguém desconhecido, são elas que abrirão portas para realizar sonhos e elas quem vão dar uma chance para quem está começando e não tem nome nenhum.

Dizem que o Brasil é um país que não lê, mas eu sei que não é bem assim que as coisas funcionam — afinal, o preço do livro é muito caro por aqui, como querem que passamos a consumir mais livros se parte da população precisa de dinheiro pra comer e pagar as contas? — e acima de tudo, eu espero que um dia possamos valorizar mais a nossa literatura (e não estou falando apenas dos autores clássicos e renomados, mas sim os contemporâneos ficção, ya, romance, chick-lit, fantasia…) e acima de tudo, que as nossas editoras também o façam e comecem a investir mais naquilo que vem daqui porque temos muita gente que escreve materiais muito legais, mas que tem as chances massacradas pela literatura internacional e também por livros de youtubers e blogueiros, muitas vezes porque parte dessas pessoas tem nome e são produto de venda fácil.

E se você um dia sonha em publicar um livro, tente deixar de lado um pouco as grandes editoras e apostar naqueles que estão dispostos a acreditar em você e no seu trabalho. Você pode se surpreender realizando o sonho muito antes do que esperava. Confia em mim.

Fonte da imagem em destaque: Entrepreneur.

ASSINATURAFLAVIA

4 comentários em “O mercado editorial brasileiro: minha opinião

  1. Perdão… não terminei de escrever… o mercado editorial no Brasil é complicado. No mês que vem será lançado o meu conto infantil no Brasil, porém só consegui que uma editora se interessasse pelo meu livro, depois que publiquei aqui na Espanha e que o conto aqui recebesse crítica positiva. Assim são as coisas

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