Aleatoriedades · Textos pessoais

Ghost writers

Ghost-writer foi um assunto bastante falado na internet nacional nessas últimas semanas, o que me levou a voltar a pensar no assunto e decidir escrever um post sobre o assunto aqui no TRS, em especial porque é algo tão polêmico e eu não sabia o que pensar sobre até pouco tempo. Lembrando que o tema também foi bastante comentado há cerca de um ano e meio atrás, em especial na gringa, por causa do livro e (mais recentemente, do blog) da Zoella. Então, digamos que é algo que tem aparecido bastante pela internet nesses últimos tempos, haha.

Mas afinal, o que é exatamente esse serviço e como ele funciona?Ghost-writers são escritores freelancers contratados que normalmente não recebem crédito pelo trabalho e todo o material produzido é vinculado ao nome do autor original, mesmo que ele não tenha escrito nada. É um prática muito comum, não apenas no mercado literário, eles são usados com muita frequência em sites, blogs, empresas etc. Em termos financeiros, normalmente esses escritores ganham bastante dinheiro, podendo até dividir com o autor da capa parte do dinheiro recebido pelos exemplares vendidos (no caso de livros, cartilhas etc), ao invés de apenas ganhar uma quantia fixa pelo trabalho feito.

No caso de um ghost-writer literário, às vezes o autor do livro que contratou o serviço pode escolher dividir o crédito, e a pessoa é listada como co-autora ou “editora” ou pode até aparecer nos agradecimentos (normalmente, nunca especificando quem é essa pessoa, haha). Há também a hipótese dele ser tratado como co-autor do livro e ter o seu nome exposto na capa, como por exemplo no caso do James Patterson (autor de Bruxos e Bruxas) que co-escreveu o livro First Love com Emily Raymond, cuja biografia da capa consta como uma ghost-writer que tem trabalho listado na lista de best-sellers do New York Times.

Ou seja, vários autores bem famosos podem ter usado esse serviço na hora de escrever seus livros. Aliás, acredito que seja um número muito maior do que imaginamos…e por isso mesmo, durante muito tempo eu simplesmente não consegui decifrar ao certo o que eu penso sobre o assunto.

Quando conheci o termo pela primeira vez, confesso que julguei horrores e fiquei pensando no tamanho da sacanagem com o ghost-writer de ter escrito algo muito bom e ficar sem os créditos — como é mais comum a gente ver por aí —, em especial por ser alguém que teve várias ideias “roubadas” por (ex)coleguinhas e tomei algumas dores por saber o quão frustrante é ver seu trabalho duro levando créditos na mão dos outros. Mas então abri os olhos e parei de mimimi e vi que a coisa é bem diferente com esse profissionais (ter alguém pegando seus pensamentos e “vendendo” como os seus é um saco, mas não tem nada a ver com o uso de um ghost-writer, mas eu sou canceriana, então sou beeem dramática, haha).

Em primeiro lugar porque esses escritores ganham bastante e com certeza concordam (e assinam contratos) para não ter o seu nome divulgado. Em segundo lugar, porque a ideia não é exatamente deles — pelo menos é assim que, na teoria, as coisas deveriam funcionar  —, afinal, escrever é um dom. A gente pode até treinar e se esforçar para melhorar, mas isso nem sempre funciona e nem sempre a pessoa consegue passar direito o que quer dizer por escrito. Quantos livros com ideias maravilhosas pegamos para ler e depois descobrimos que o autor não soube lidar direito na hora de passar pro papel? Agora, imagina alguém que não consiga escrever o que pensa, mas tem ideias maravilhosas que dariam um livro sensacional. O que fazer? Deixar a ideia ali paradinha para sempre, sem dividir com ninguém jamais ou usar um ghost-writer, que pode escrever o futuro livro favorito de um número enorme de pessoas? Inclusive o seu?

A verdade é que diversos autores famosos — que tiveram seus livros em listas de best-sellers — usam desses profissionais e eu tenho certeza que alguns que eu gosto muito o fazem. É só pensar: a pessoa publica quantos livros por ano? É um número alto ou até mais que um? As chances delx usar um ghost-writer são gigantes porque o processo de escrita de um livro demora um tempinho que vai desde colocar as ideias no papel, até a revisão e convenhamos, fazer isso em pouco tempo é algo um tanto…questionável.

A realidade é a seguinte: quantos livros legais não existiriam se não fossem por esses profissionais? E isso é ruim? É de fazer a gente se sentir enganado etc etc?

Talvez sim. Talvez não. Depende da maneira que a gente escolhe enxergar as coisas e como quis fazer um post desabafando o que penso sobre o assunto, eu enxergo da seguinte forma: aquelas pessoas que falei ali em cima, que tem ideias sensacionais, mas simplesmente não conseguem passar tudo pro papel e precisam de ajuda; autores famosos — ou pessoas ocupadas —  que tem milhares de ideias legais, mas não têm tempo de escrever, revisar e passar por todo o processo de publicação; nesses casos, eu não julgaria o uso de um ghost-writer. DESDE que seja usado de forma que: o livro seja realmente escrito em conjunto pelos dois, que existam reuniões e que eles conversem e discutam durante todo o processo, de forma que o ghost-writer apenas “dê vida à história” e não a escreva por completo.

Ou seja, eu aceito e apoio o uso desses profissionais se eles forem usados com inteligência e não apenas para ganhar dinheiro, como é o que temos visto cada vez mais — ou vazado mais? —, em que, sabendo que a pessoa vai garantir dinheiro, escrevem-se livros (e até “autobiografias”!) nos quais o autor de capa sequer se dá o trabalho de ler o que foi escrito (e então é assim que rolam as polêmicas). Nesse ponto, eu realmente acho que o uso desses profissionais algo a se envergonhar e que livros assim não deveriam ser publicados — ou comprados, porque né, quem vai pensar em algo ético na hora de ganhar dinheiro nesse mundo?

Não julgo, não condeno o uso de ghost-writer. Desde que seja feito com moderação e como moderação eu digo, desde que seja um trabalho em conjunto com o autor da obra, que ele apenas passe para o papel, a ideia de uma outra pessoa, que seja lá qual for o seu motivo, não escreva ela mesma.

E vocês, o que acham de ghost-writers? Apoiam, são contra, concordam comigo ou não? Comentem que eu vou adorar ver o que vocês pensam sobre o assunto!

Fontes utilizadas: Freelance Writing (inglês) e Ghost Writer (português). Créditos da imagem destacada.

 

ASSINATURAFLAVIA

8 comentários em “Ghost writers

  1. Confesso que nunca tinha ouvido falar do termo “Ghost-Writer” e fiquei um pouco surpresa/ chocada, sem saber o que pensar, mas conforme fui lendo, acabei aceitando que eles são fundamentais. Há tantas histórias boas que não são contadas simplesmente porque seus criadores não conseguem expor em palavras, que não somente acho interessante, como é fantástico poder contar com outra pessoa que possa e tenha facilidade para transmitir no papel as mesmas.
    Mas é claro que aceito desde que seja um trabalho conjunto, onde ambos participem ativamente, um entrando com as ideias e o outro com escrita e que seja anunciado aos leitores, porque é frustrante você admirar um autor e depois acabar descobrindo que o mesmo pode muito bem nem ter lido “seu” respectivo livro.
    Parabéns pelo post, gostei de conhecer sobre esse assunto e soube desenvolvê-lo muito bem.
    Beijinhos ♥

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    1. Oi Bia! Primeiramente, muito obrigada! Fico super feliz que esse post te fez conhecer sobre o assunto e que gostou de como foi colocado! Sempre é bom receber feedbacks assim, dá mais vontade de fazer posts do tipo! ❤
      Pois é, ghost-writer é um tema bem complicado e polêmico! Mais uma das coisas que se usada com sabedoria, é algo bem legal que ajude! Eu também sou a favor de ter o nome da pessoa em algum momento, mas a coisa central dele é justamente ficar "escondido", então eu acho que nesse caso, não sei mesmo o que pensar, se eu fosse uma ghost-writer não ia saber lidar muito bem com isso, hahaha…Mas o problema é que como tudo que tem uma ideia inicial legal, atualmente por causa dessa sede de dinheiro etc, as editoras estão abusando muito do uso deles e isso vira um problema.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Ah, eu sou da mesma opinião que você, Flávia! Acho que se o profissional for contrato com inteligência, porquê não, sabe? Já li vários livros com histórias incríveis, mas que poderiam ser bem melhores se o autor soubesse explorar mais os personagens… Talvez, se alguém com mais experiência tivesse escrito, ou ao menos ajudado o autor, seria um livro inesquecível e não apenas um livro bacana! MAAAAS, usar como um youtuber aí que está no meio dessa polêmica toda, nem leu o livro e ainda expôs a vida de pessoas envolvidas com ele, acho sacanagem. Fora isso, uma profissão como qualquer coisa. E acho que também pode ter casos de autores que não teriam coragem de se jogar para tentar publicar o próprio livro ou algo assim, mas viu uma oportunidade para fazer o que ama. Então, porque julgar, né? :]

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    1. Oi Paty querida! Adoro ver seus comentários por aqui ❤ E pois é, né? Acho que a ideia original de um ghostwriter bem legal e útil nessa vida, mas pra variar um pouco, por causa dessa loucura por ganhar dinheiro mil etc, as editoras tão passando muito do limite e além de banalizar a profissão, acaba pegando muito mal pra eles, além da pessoa que tem o nome na capa, claro, mas pra mim, o pior de tudo são as editoras, porque os loucos mercenários geralmente são eles, que oferecem contratos assim…E nem comento sobre esses livros de Youtubers, muito autor legal com ideias legais se matando pra conseguir publicar um livro, gastando do próprio dinheiro pra divulgar etc são super desvalorizados pra publicar esse tipo de livro que a pessoa sequer se dá o trabalho de ler pra revisar…tipo, que mercado literário é esse????
      Enfim, desabafos à parte, haha. Concordo contigo, não tem como julgar os ghost-writers quando eles são usados de forma "justa" (se é que posso chamar assim, hahaha).

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  3. Como foi que descobriram o caso da Zoella? Já vi gente falando sobre mas nunca do começo, só que ela não escreveu nada mesmo…

    Ah, to curtindo o blog. Vocês poderiam dar dicas de livros em inglês para quem quer começar a ler mas nunca fez curso?! Tipo como começar, quais livros escolher, comprar a versar física ou começar por ebook, essas coisas 🙂

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    1. Oi Gui! Pelo que entendi quando li, o uso do ghost-writer pela Zoella foi descoberto por causa da página de agradecimentos do Girl Online, que ela agradece à pessoa que escreveu, mas não diz quem é exatamente e as pessoas começaram e desconfiar e comentar etc. Mas pelo que eu soube, ela não chegou a escrever mesmo, mas as ideias foram todas dela e o ghost-writer foi uma ajuda mesmo, tanto que no segundo livro, dizem que quem escreveu foi a própria Zoella mesmo. 😀
      Que bom que está curtindo o blog! A gente fica super feliz em saber disso! Quanto à sua dica de post, nós temos no papel alguns posts relacionados a começar a ler em inglês e em breve deveremos escrever e colocar por aqui, mas dar dicas para quem nunca fez curso ou tem uma base fica um pouco complicado, porque acredito que não é fácil pegar um livro sem ter nenhum contato com a língua ou ter pelo menos aprendido o básico – sozinho ou não, haha. Mas antecipando sua dúvida: sempre que lemos os livros que falamos por aqui (porque às vezes damos dicas de leituras que queremos fazer), a gente sempre avisa o nível de dificuldade deles (o básico sendo o ideal para quem está começando) e eles já são uma dica de quais escolher! Quanto a versão física ou ebook, acredito que não faça muita diferença não! E se quiser saber mais, no Psycho Reader, nosso antigo blog, já fizemos um post do tipo. Se quiser ver, só clicar aqui! Espero ter ajudado! 😀

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